A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta semana que o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda ultrapassou a marca crítica de 1.000 mortes, totalizando 1.001 óbitos desde o início da epidemia em maio. Com 2.493 casos confirmados, esta é a terceira maior epidemia da doença já registrada e a que se espalha mais rapidamente na história.
A situação epidemiológica permanece grave na RDC, onde 999 das mortes ocorreram entre 2.473 infectados. O país enfrenta uma disseminação ativa do vírus em cinco províncias. Vale destacar, no entanto, que a província de Ituri concentra cerca de 89% dos casos.
Em contraste, Uganda registrou apenas 20 casos e duas mortes, e há três semanas não há novas infecções identificadas, o que permite ao país iniciar a contagem regressiva de 42 dias para ser declarado livre do vírus.
A cepa Bundibugyo
De acordo com a OMS, um dos maiores problemas da resposta vem do fato de que a cepa Bundibugyo, variante que ataca a região neste surto, não possui vacinas aprovadas nem tratamentos definitivos específicos para seu tratamento, diferente da cepa Zaire.
A ausência de contramedidas médicas licenciadas levou a OMS a declarar, em maio, uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional.
Diante disso, a comunidade científica acelerou o desenvolvimento de soluções. Na última semana, foram iniciados os primeiros ensaios clínicos em humanos de uma vacina candidata desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo Instituto Serum da Índia.
O estudo, que testa a segurança e a resposta imune em 50 adultos saudáveis, marca um marco na corrida contra o tempo, enquanto a OMS avalia também o uso de antivirais experimentais como o obeldesivir para profilaxia pós-exposição.
Crise humanitária também atrapalha
Além do problema sanitário, as autoridades da Saúde também apontam que a instabilidade da região também atrapalha a resposta dos agentes. No caso, conflitos armados na região restringem o movimento das equipes de vigilância, impedem o transporte seguro de amostras laboratoriais e dificultam o rastreamento de contatos.







