Trump empurra Arábia Saudita para acordo com Israel
Estados Unidos e a Arábia Saudita firmaram um acordo nuclear com validade de três décadas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 23, que o acordo nuclear firmado com a Arábia Saudita está condicionado à adesão do Reino "aos respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão", assinados em 2020 para estabelecer o reconhecimento diplomático e a cooperação econômica e comercial entre Israel e países árabes.
Segundo o presidente americano, o acordo é para fins civis e não haverá enriquecimento de urânio.
"O acordo de energia nuclear para fins civis (não haverá enriquecimento de material!) que está sendo firmado entre o Departamento de Energia dos Estados Unidos e a Arábia Saudita — e que diz respeito apenas a usos não militares, semelhantes aos que o Irã, os Emirados Árabes Unidos e outros países já possuem — será aprovado, mas está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão. Os Estados Unidos não se opõem a instalações nucleares civis (sem enriquecimento)", escreveu Trump na rede Truth Social.
O acordo nuclear
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita firmaram um acordo nuclear com validade de três décadas, que dará a companhias americanas posição privilegiada na construção da estrutura atômica civil saudita.
O texto ainda será submetido à apreciação do Congresso americano e já enfrenta objeções de parlamentares.
A avaliação corrente é que a propagação de tecnologia atômica numa região com histórico de tensões eleva o risco de proliferação e pode, no longo prazo, abrir espaço para um programa de cunho militar. O enriquecimento de urânio, isoladamente, não gera uma arma nuclear, mas representa etapa relevante rumo a essa capacidade.
As tratativas atravessaram tanto o governo Trump quanto a gestão anterior, de Joe Biden, e tiveram participação do secretário de Energia Chris Wright. Ele discutiu proposta semelhante em viagem ao Oriente Médio em abril de 2025.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman defende publicamente a criação de um programa nuclear civil saudita. Em entrevista à emissora CBS, em 2018, ele declarou que o país buscaria obter armamento atômico “o mais rápido possível” caso o Irã viesse a desenvolvê-lo.
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