Adriano Machado/Crusoé

CPI vê contradições em versão de reverendo que intermediou negociação de vacinas

03.08.21 14:19

Senadores da CPI da Covid irritaram-se com trechos do depoimento do reverendo Amilton Gomes de Paula (foto) considerados contraditórios. Os parlamentares não compraram a versão de que o fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários conseguiu uma agenda no Ministério da Saúde em poucas horas sem ter contatos no governo federal.

A comissão investiga o papel do religioso na negociação entre a gestão Jair Bolsonaro e a Davati Medical Supply por 400 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório britânico AstraZeneca.

Sabe o que não fecha para nós aqui, reverendo, com muita sinceridade? Não fecha a forma como o senhor chega no Ministério da Saúde porque, se eu, agora, receber 10 prefeitos do meu estado e for lá, não serei recebido, porque tenho que marcar audiência”, argumentou o presidente da comissão, Omar Aziz. “Isso não cola. Isso não está no script de ministério nenhum. Só se a pessoa tiver livre acesso“.

Em depoimento à CPI, Amilton disse que enviou e-mail ao Ministério da Saúde pela primeira vez em 22 de fevereiro, pedindo uma reunião, e foi atendido no mesmo dia. Às 16 horas e 30 minutos, ele foi recebido pelo então diretor de Imunização e Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério, Laurício Monteiro Cruz.

O reverendo, porém, afirmou que, à época, não conhecia integrantes do Ministério da Saúde ou políticos ligados ao governo federal. Apesar da declaração, Amilton tem fotos com Flávio Bolsonaro, foi filiado ao PSL e participou da campanha do presidente Jair Bolsonaro, segundo admitiu na oitiva.

A CPI ainda questionou Amilton sobre mensagens trocadas com Dominghetti. Em uma delas, o reverendo sugere ter conexões com o governo. “Ontem falei com quem manda! Tudo certo! Estão fazendo uma corrida compliance da informação da grande quantidade de vacinas!”, escreveu. O senador Humberto Costa perguntou a quem o religioso se referia e, de forma sucinta, ele respondeu que a mensagem foi uma “bravata minha“.

Neste momento, Aziz interveio e afirmou que o advogado do depoente estava, de forma escancarada, orientando o que o religioso deveria dizer. Na sequência, Costa declarou que Amilton estava “protegendo alguém. “Alguém que lhe apresentou ao Ministério da Saúde, para o senhor fazer essa intermediação”, apostou.

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  1. Em nome de Deus, esses terrivelmente evangélicos, tem descoberto e entrado nos esgotos da corrupção do Brasil, sempre por mãos poderosas e calosas do manejo da Bíblia. Dessa vez não deu certo! Deus ficou do lado da CPI e deixou para o referendo, o choro...kikiki

  2. A CPI falhou de novo. Deveria ter aprisionado o reverendo e o colocado junto com um daqueles serial killers que habitam as prisões de segurança máxima brasileiras. Tenho certeza que ele contaria toda a verdade em segundos.

  3. 1- Mais uma vez, o senador Alessandro Vieira foi perfeito nas suas colocações. Parabéns nobre senador. Deixa eu respirar, pois acabei de comentar da Capitã Cloroquina... Eu certa vez provoquei o homem de negócios Silas Malafaia, que diz ter o poder de curar gay, para usar esse poder, e fazer a multiplicação das vacinas. Não é que os cretinos pastores, reverendos, ou seja lá que porr* são essas, foram atrás disso. Não de milagre obviamente, mas de malandragem.

    1. 2- A multiplicação das vacinas: 400 000 000 X 0 = 0. Mas o interessante é que o 0 de vacinas já tinha garantido: 400 000 000 × 1 dólar = 400 milhões de dólares. E o tal chorão (na análise das microexpressões empatou com a Richthofen) já tinha acertado uma DOAÇÃO, que ele não sabe o valor. Kafka, Salvador Dali, o Brasil está cada vez mais louco e surreal. Viva Las Vegas.

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