Reprodução

Com aprovação de lei para enriquecer mais urânio, Irã se prepara para barganhar com os EUA

01.12.20 21:10

O Parlamento do Irã (foto) aprovou nesta terça, 1, uma lei que obriga o governo nacional a impedir inspeções de especialistas internacionais em seus centros nucleares e a enriquecer urânio a até 4,5%, um pouco acima dos 3,67% permitidos. A legislação também diz que o país deve produzir 120 quilos de urânio enriquecido a 20% para “propósitos pacíficos”.

A lei foi proposta após o assassinato do cientista nuclear iraniano Mohsen Frakhrizadeh na sexta, 27. Os iranianos acusam Israel pelo assassinato, mas o governo desse país não comenta o ocorrido.

Além disso, a decisão de acelerar o enriquecimento de urânio tem como pano de fundo a troca de poder nos Estados Unidos. Com o democrata Joe Biden, os iranianos esperam arrancar algumas concessões em um novo acordo nuclear com as grandes potências e obter um alívio nas sanções.

“Faz muito sentido para o Irã aumentar o enriquecimento de urânio e proibir inspeções antes de a equipe de Biden chegar ao poder”, diz Joshua Landis, diretor do Centro de Estudos do Oriente Médio da Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos. “Isso coloca o Irã em uma posição melhor para barganhar, porque quanto mais tempo o time de Biden levar para negociar, mais o Irã enriquecerá urânio.”

O time de Biden, segundo Landis, adota estratégia parecida. “Eles estão aumentando as demandas ao Irã, dizendo que não podem retornar ao antigo acordo e pedindo restrições adicionais à tecnologia de mísseis”, diz Landis. “Ambos os lados estão escalando suas exigências antes de as conversas começarem. Suponho que isso seja parte de um processo de negociação.”

Já é assinante?

Continue sua leitura!

E aproveite o melhor do jornalismo investigativo.

Só R$ 1,90* no primeiro mês

Edição nova toda Sexta-Feira. Leia com Exclusividade!

Assine a Crusoé

*depois, 11 x R$ 14,90

Deixar para mais tarde

Os comentários não representam a opinião do site. A responsabilidade é do autor da mensagem. Em respeito a todos os leitores, não são publicados comentários que contenham palavras ou conteúdos ofensivos.

500
  1. Armas matam. Nas mãos da polícia é pra defesa mas ainda assim matam alguns inocentes. Mas mãos de bandidos matam mais inocentes que bandidos. Irã Teocrata quer arma para dominação e não tem amor a vida alheia.

  2. Essa corrida armamentista inconsequente, é um entrave na vida dos países de dentro ou de fora dela... Há muitas outras maneiras preferenciais de lidar com os tensionamentos mútuos fora da estupidez da corrida armamentista.

  3. Parabéns ao Parlamento e ao Governo Iraniano! Depois dos Estados Unidos (Trump) ter rompido o acordo nuclear firmado pelo Irã com a Europa e vários outros países; do assassinato de seu principal chefe militar; e do assassinato de seu maior cientista nuclear, não restava outra alternativa ao Irã que não fosse a retomada do enriquecimento de urânio. Se a comunidade internacional permite que Israel tenha armas nucleares, não tem o direito de impedir o acesso a essas armas a outros países da região.

Mais notícias
Assine
TOPO