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Chile de 2025 é o Brasil em 2026

O presidente Lula certamente prestará muita atenção ao desempenho da comunista Jeannette Jara no segundo turno

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Duda Teixeira
4 minutos de leitura 17.11.2025 10:27 comentários 0
Chile de 2025 é o Brasil em 2026
José Antonio Kast, candidato no Chile. Reprodução/redes sociais
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O primeiro turno no Chile no domingo 16 de novembro traz importantes reflexões para as eleições presidenciais brasileiras de 2026.

Passaram para o segundo turno, marcado para o dia 14 de dezembro, os candidatos Jeannette Jara, do Partido Comunista, e José Antonio Kast (foto), do Partido Republicano.

Em vários pontos, pode-se esperar que o Brasil repita alguns fenômenos observados entre os chilenos.

Segurança beneficia direita

A principal preocupação dos chilenos é com a segurança, o que beneficiou os candidatos de direita que prometem medidas mais duras.

A entrada massiva de imigrantes venezuelanos e de cartéis, como o Tren de Aragua, levou a uma piora na percepção de segurança.

Os homicídios subiram 140% na última década, ainda que o país continue sendo mais seguro que o estado com menos mortes violentas intencionais do Brasil, que é São Paulo.

Durante a campanha, a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro assustou os chilenos, e o assunto acabou indo parar nos debates presidenciais.

A esquerda até tentou correr atrás para tentar mostrar que tinha uma solução para o problema.

A candidata do Partido Comunista Jeannette Jara propôs uma lei para quebrar o sigilo bancário do crime organizado.

Mas não adiantou.

Para um partido ou coalizão que está no poder, como o Partido Comunista do Chile ou o PT no Brasil, fica difícil explicar por que medidas não foram tomadas.

No Brasil, a preocupação do brasileiro com a violência subiu de 30% para 38% em um mês, segundo pesquisa Genial/Quaest. A economia ficou em segundo lugar, com 15%.

Rejeição ao governante

A reeleição não é permitida pela Constituição do Chile.

Mas a rejeição ao atual presidente, Gabriel Boric, deverá ser um obstáculo para sua candidata, Jeannette Jara, no segundo turno.

Segundo pesquisa do instituto Cadem, 63% dos chilenos desaprovam o governo de Boric. Apenas 33% aprovam. Com esses números, uma reeleição de Boric seria inviável.

"O governo de Boric foi caracterizado por uma desorganização no geral, tanto na economia, o que se refletiu em aumento da inflação, quanto na área de segurança pública", diz Thiago Vidal, diretor de análise política da Prospectiva.

No Brasil, onde a reeleição é permitida, deverá ocorrer uma relação ainda mais direta entre a aprovação do presidente e a quantidade de votos.

Segundo o Lulômetro, publicado em parceria com a Real Time Big Data, o petista tem aprovação de 31% e rejeição de 33%.

"[Lula] apanha da própria rejeição", escreveu o estrategista eleitoral Roberto Reis na última edição de Crusoé. "Mesmo sem sombra de concorrente estruturado, sem cardápio de opções colocado, Lula perde para ele mesmo. Perde para a rejeição, que insiste em ser maior que a aprovação."

Fracasso identitário

Boric apoiou uma Constituição com viés progressista identitário, que considerava o Chile como estado plurinacional, valorizava o meio ambiente e apoiava os temas dos indígenas e das mulheres.

O texto foi rejeitado em um referendo popular.

As pautas modernas mostraram-se boas para ganhar manchetes nos jornais e cobertura na televisão, mas não se converteram em votos.

Segundo turno

Jeannette Jara foi a vencedora do primeiro turno, mas terá muita dificuldades para se sair vencedora no segundo.

Isso porque os eleitores do Chile se inclinaram para a direita e devem optar por Kast.

Candidatos de direita derrotados no primeiro turno, como Evelyn Matthei e Johannes Kaiser, já pediram voto em Kast.

No Brasil, mesmo que a direita não se aglomere em torno de um único nome antes do primeiro turno, isso certamente ocorrerá no segundo turno.

O presidente Lula certamente prestará muita atenção ao desempenho da comunista Jeannette Jara no segundo turno no Chile.

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