Benedita lidera disputa pelo Senado no Rio; Crivella encosta
Levantamento aponta a ex-governadora como favorita, enquanto ela enfrenta resistência interna dentro do PT
Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta quinta-feira, 2, aponta a ex-governadora Benedita da Silva (PT, foto) na liderança do principal cenário da disputa pelo Senado no Rio de Janeiro, com 33% das intenções de voto.
O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos) figura em segunda lugar, com 25,9% dos votos.
Na quarta-feira, 1º, por decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, Crivella teve seus direitos políticos restabelecidos, voltando a ficar apto a disputar as eleições de 2026.
A pesquisa também mostrou o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), com 21,9%; deputado federal Pedro Paulo (PSD), 21,5%; deputado Carlos Jordy (PL), 12,1%; Mauro Campos (Novo), 10%; Monica Benício (PSOL), 9,9%; e Helio Secco (Missão), 4,9%.
Em um segundo cenário de disputa, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) tem 10,7% das intenções de voto.
O Instituto Paraná Pesquisas ouviu 1.600 eleitores em 60 municípios do Rio de Janeiro entre 29 de junho e 1º de julho.
A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com grau de 95%.
O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número RJ-04259/2026.
O desafio de Benedita
Apesar do favoritismo, Benedita enfrenta resistência interna dentro no PT.
Seu principal opositor interno é o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional da sigla, Washington Quaquá.
Ele declarou apoio à candidatura do deputado federal Pedro Paulo (PSD) ao Senado pelo Rio de Janeiro, descartando o apoio à correligionária petista na disputa.
Em maio, o prefeito já havia retirado o apoio a Benedita após um desentendimento envolvendo a escolha do suplente em sua eventual chapa.
"O grupo majoritário do Rio topou apoiá-la e ofereceu um suplente, o líder do PT na Câmara do Rio, Felipe Pires, e ela não topou. Ela disse que tem idade avançada e quer deixar a suplência de herança para o Manoel Severino, seu chefe de gabinete, que certamente trará escândalos para a campanha, já que estava ligado a saques de dinheiro no Mensalão", diz Quaquá.
No mês anterior, Benedita chegou a escrever um artigo no portal Brasil 247 defendendo o "direito de decidir" sobre a composição da própria chapa ao Senado Federal.
O texto respondia a declarações de Quaquá, que rejeitou a indicação de Manoel Savarino como suplente. Segundo Quaquá, o nome estaria “envolvido em escândalos”.
Como alternativa, o prefeito de Maricá sugeriu o vereador carioca Felipe Pires e o pastor e cantor Kleber Lucas.
Leia mais: Quaquá rompe com Benedita e apoia Pedro Paulo ao Senado no Rio
De volta ao jogo
Crivella ganhou nova chance na disputa pelo Senado após o ministro André Mendonça suspender sua inelegibilidade.
A decisão, tomada de forma monocrática, devolve provisoriamente os direitos políticos do parlamentar e o habilita a disputar as eleições de 2026.
Mendonça afirmou que há plausibilidade jurídica nos argumentos apresentados pela defesa e apontou a existência de divergência dentro do próprio TRE-RJ sobre a relação entre os fatos investigados e a eleição de 2020.
O ministro também destacou que a proximidade das convenções partidárias e do período de registro de candidaturas configura possibilidade de dano irreparável caso a inelegibilidade permanecesse em vigor enquanto o recurso ainda não foi julgado.
Crivella havia sido condenado pelo TRE-RJ por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2020.
Com isso, estava inelegível até 2028.
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