O governo da Índia determinou que o WhatsApp suspenda a implementação do recurso de nomes de usuário personalizados, anunciado recentemente pela Meta. O país é o maior mercado do aplicativo no mundo, com mais de 500 milhões de contas ativas, e alega risco de aumento de golpes e falsificação de identidade com a nova ferramenta.
O Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação da Índia enviou uma carta à Meta em 1º de julho pedindo esclarecimentos sobre o funcionamento do recurso e determinando a pausa no lançamento até a conclusão de consultas com as autoridades locais.

Como funciona o recurso
A funcionalidade permite reservar um identificador único para conversar no aplicativo sem revelar o número de telefone. A Meta começou a distribuir a novidade na segunda-feira (29), incluindo para usuários no Brasil, depois de anos de expectativa em torno do recurso.
O plano da empresa é ampliar o lançamento de forma gradual até o fim do ano.
O governo indiano se preocupa
Para as autoridades locais, a possibilidade de contato sem exposição do número pode facilitar phishing, fraudes financeiras e falsificação de identidade de autoridades e instituições.
Nos primeiros testes do recurso, nomes semelhantes aos de figuras públicas indianas, como o primeiro-ministro do país e atores de Bollywood, chegaram a ficar disponíveis para reserva.
O outro lado: a Meta
A empresa afirma que o cadastro continuará exigindo um número de telefone válido e que criou barreiras contra abusos, como limite de novos contatos por período e bloqueio de tentativas repetidas de adivinhação de nomes de usuário.
A Meta também reserva, de forma preventiva, nomes ligados a autoridades, governos e marcas conhecidas, para reduzir o risco de apropriação indevida.
A Internet Freedom Foundation, organização indiana de defesa de direitos digitais, criticou a notificação do governo.
Segundo a entidade, a medida carece de base legal e pode abrir precedente para que autoridades interfiram em decisões de design de outros aplicativos, como configurações de privacidade de navegadores ou métodos de login em apps de pagamento.
Este não é o primeiro embate entre o governo indiano e uma plataforma de mensagens. O país já determinou o bloqueio temporário do Telegram em outra ocasião, para conter fraudes ligadas a exames nacionais.
A Meta tem até este sábado (4) para responder formalmente ao Ministério indiano sobre o funcionamento do recurso e apresentar garantias de segurança contra fraudes. Enquanto isso, o lançamento dos nomes de usuário segue suspenso no país.




