A prefeitura de Paris, na França, proibiu o consumo e a venda de bebidas alcoólicas em espaços públicos da cidade durante os dias de calor mais intenso registrados no fim de junho.
Anunciada pelo chefe de polícia da capital francesa, Patrice Faure, a medida entrou em vigor no dia 26 de junho e vigorou de forma intermitente até o fim de semana seguinte.
O decreto proibiu o consumo de qualquer bebida alcoólica em calçadas, praças, gramados e nas margens do rio Sena. Mercados, lojas de conveniência e estabelecimentos que vendem exclusivamente bebidas também ficaram impedidos de vender álcool para consumo fora do local em horários determinados.
A restrição não valeu para mesas de bares e restaurantes com licença para funcionar nas calçadas.
Por que a proibição foi decretada
A decisão aconteceu depois que a Météo-France, serviço nacional de meteorologia do país, emitiu alerta vermelho de calor extremo para toda a região de Île-de-France, que inclui Paris.
Na quarta-feira anterior à medida, a temperatura na capital francesa chegou a 40,3°C.
Os riscos do álcool durante o calor extremo
Segundo Faure, a combinação entre álcool e sol forte tem efeitos que podem colocar a saúde da população em risco. O álcool é um diurético e favorece a desidratação, além de provocar uma falsa sensação de alívio térmico que deixa o organismo mais vulnerável à insolação. A prefeitura também apontou o risco de afogamento entre pessoas que, sob efeito de álcool, buscam se refrescar em rios e chafarizes públicos.
A onda de calor sobrecarregou os serviços de emergência da cidade. O Corpo de Bombeiros de Paris chegou a registrar 2.500 atendimentos em um único dia, o dobro da média normal, a maior parte ligada aos efeitos do calor extremo. Balanços oficiais já apontavam ao menos 55 mortes por afogamento na França desde o início da onda de calor.
Cidade mudou horários e ampliou pontos de água
Outros pontos turísticos reduziram o funcionamento por causa das temperaturas, a Torre Eiffel passou a fechar às 16h, em vez de operar até a madrugada, e o Museu do Louvre também alterou seus horários.
Em contrapartida, a prefeitura ampliou para 1,3 mil os pontos de distribuição de água potável pela cidade e manteve parques e jardins abertos durante a noite para dar acesso a áreas mais frescas à população.
A Météo-France classificou a intensidade da onda de calor deste ano como semelhante às registradas em julho de 2019 e agosto de 2003, quando o país enfrentou um episódio sem precedentes que causou 14,8 mil mortes, a maioria de idosos.




