As 88 unidades do Ferrari Luce destinadas ao mercado chinês foram vendidas de imediato após o lançamento oficial do modelo no país.
O resultado surpreende pelo contexto: o primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari foi alvo de críticas intensas desde a apresentação em Roma, em maio, e a repercussão negativa chegou a derrubar as ações da montadora mais de 6% em um único dia.
O Luce chegou ao mercado chinês pelo preço de 3.988.000 iuanes, o equivalente a cerca de US$ 586 mil ou R$ 3 milhões na cotação atual.
Esse valor é cerca de 7% inferior ao praticado na Europa, onde o modelo parte de 550 mil euros, uma vantagem incomum num mercado onde bens de luxo importados costumam ser mais caros por causa dos impostos.
O que explica o sucesso na China
Para analistas do setor, os 88 compradores chineses não estavam avaliando ficha técnica: compravam um símbolo. Num mercado onde o prestígio de marca ainda pesa mais do que especificações, o emblema da Ferrari é suficiente para justificar a compra.
A comparação com concorrentes locais mostra o abismo em termos de preço. O BYD Yangwang U9, superesportivo elétrico chinês, custa cerca de metade do Luce com desempenho superior.
O GAC Hyptec SSR parte de 1.286.000 iuanes, menos de um terço do preço. Nenhum deles esgotou com a mesma velocidade.
A polêmica que não virou fracasso
A rejeição nas redes sociais concentrou-se em pessoas que nunca seriam clientes do carro. Críticos notaram que o Luce rompe com a identidade visual clássica da Ferrari, com quatro portas, cinco lugares e design assinado pelo ex-chefe de design da Apple, Jony Ive.
Figuras como o ex-presidente da Ferrari Luca di Montezemolo chegaram a sugerir a remoção do emblema do carro.
Ainda assim, as encomendas globais já estariam garantidas até 2027. O esgotamento na China antecipa que a estreia comercial do modelo, para além das fronteiras digitais onde a polêmica cresceu, pode ser diferente do que os críticos esperavam.




