A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta semana a segunda fase da Operação Disclosure, ampliando as investigações sobre a fraude contábil bilionária das Lojas Americanas. Pela primeira vez, a ação mira diretamente executivos de grandes bancos como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander sob a suspeita de conivência e manipulação de mercado.
A operação cumpre nove mandados de busca e apreensão e determina o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões, montante estimado como o rombo total das fraudes. As investigações apontam que os executivos bancários e os controladores da Americanas tinham conhecimento prévio de um esquema que ocultou a situação financeira da empresa por anos.
Motivo das acusações
O cerne da investigação recai sobre duas práticas irregulares que teriam sido facilitadas com a anuência de gestores das instituições financeiras. A primeira delas é a chamada “risco sacado”, operações de antecipação de pagamentos a fornecedores que foram usadas para reduzir artificialmente a dívida reportada nos balanços.
A PF apura se executivos dos bancos concordaram em omitir dados cruciais nas cartas de circularização, documentos essenciais para a auditoria externa, impedindo a descoberta do endividamento das Americanas.
A segunda prática investigada são contratos de marketing supostamente registrados sem lastro econômico para inflar lucros operacionais e gerar bônus milionários para a gestão.
Segundo a PF, “a audácia do grupo criminoso era tão grande que eles chegavam a cooptar funcionários dos bancos para que alterassem as cartas de circularização”, para garantir a continuidade das fraudes.
O que diz a defesa dos bancos?
Os bancos e acionistas negam qualquer ilícito e afirmam que também foram prejudicados pelo esquema. A defesa do Itaú Unibanco afirmou, em nota, que “recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização” e que já comprovou a lisura de sua conduta à Justiça.
Já o Santander e o Bradesco declararam estar colaborando ativamente com as autoridades e colocaram-se à disposição para esclarecimentos. Dois acionistas das Americanas, Carlos Alberto Sicupira e Paulo Lemann disseram ter sido “surpreendidos” e afirmaram que “foram enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da empresa”.
A Operação Disclosure conta com o apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As investigações devem se estender por meses, analisando documentos apreendidos e comunicações internas para confirmar a extensão do envolvimento de cada acusado.




