A FIFA anunciou nesta semana que o empresário Joshua Kushner, irmão do genro do presidente dos EUA, Donald Trump, foi escolhido para liderar a distribuição de ações da nova empresa comercial da entidade, a FIFA Forward Enterprise (FFE).
A movimentação, avaliada em bilhões de dólares, tem o objetivo de capitalizar a marca da Copa do Mundo, mas enfrenta forte resistência da Europa, além de desconfiança de torcedores e outros setores do futebol internacional.
A escolha de Kushner
O fundo de investimentos Thrive Eternal, criado especificamente em abril de 2026 por Joshua Kushner, será o responsável por gerenciar a venda de 20% da FFE. A operação faz parte de um plano do presidente Gianni Infantino para arrecadar US$ 4,2 bilhões, baseando-se em uma avaliação total da empresa de US$ 20 bilhões, segundo a assessoria do banco JPMorgan.
A nova subsidiária consolidará todos os direitos comerciais da FIFA, incluindo transmissão, patrocínios e licenciamento. Enquanto a entidade máxima do futebol manterá o controle majoritário e as decisões esportivas, a entrada de capital privado marca uma mudança histórica na governança da modalidade.
Oposição e boicote
A revelação dos laços familiares entre o parceiro escolhido e a Casa Branca gerou uma reação imediata no cenário futebolístico internacional. A UEFA, entidade que comanda o futebol europeu, classificou a proposta como uma “comercialização da alma do esporte” e criticou a falta de transparência sobre os beneficiários financeiros.
Em uma reunião de emergência, as 55 federações-membros da UEFA concordaram unanimemente em boicotar qualquer competição gerida sob a nova estrutura caso o plano seja aprovado.
Líderes europeus argumentam que a medida pode fragmentar o calendário global e politizar a gestão do futebol, especialmente dada a proximidade com a administração Trump.
Pressão sobre federações
O destino da FFE será decidido em uma votação marcada para 19 de setembro de 2026. Até lá, as 211 federações-membros da FIFA devem analisar a proposta. Infantino estabeleceu um prazo curto de 53 dias para consultas, criando um cenário de alta pressão.
O argumento central da FIFA para aprovar a venda é o aumento drástico nos repasses financeiros: cada associação-membro poderia receber até US$ 40 milhões adicionais nos próximos quatro anos.
No entanto, a entidade alertou que federações que votarem contra o plano podem sofrer cortes de até 75% em seus fundos de desenvolvimento atuais, uma medida vista por críticos como coerção financeira.







