A China colocou em prática um plano de US$ 20 bilhões para se tornar líder mundial em robótica industrial e concorrer diretamente com os Estados Unidos, segundo reportagem da correspondente da BBC no país, Laura Bicker. O programa integra a estratégia batizada pelo presidente Xi Jinping de “novas forças produtivas”.
O país já reúne mais de 2 milhões de robôs em operação em suas fábricas, volume maior que o de qualquer outro lugar do mundo, e responde por mais da metade da produção global de robôs industriais.

Em Chengdu, a CRP Technology, empresa com 300 funcionários, fabrica há nove anos braços robóticos para montadoras, fabricantes de eletrônicos e empresas de turbinas eólicas; segundo a companhia, um único equipamento pode executar mais de 90% das tarefas repetitivas de uma linha de produção depois de programado.
A empresa desenvolve ainda um protótipo de robô pensado para ajudar a construir outros robôs, hoje limitado a tarefas simples, como a leitura de códigos QR.
“Precisamos desse tipo de robô porque, em dez anos, talvez não tenhamos trabalhadores suficientes na China”, disse Pang Kai, engenheiro de pesquisa e desenvolvimento da CRP, à BBC.
Envelhecimento da população acelera aposta na automação
O envelhecimento populacional chinês é um dos principais motores da corrida por automação, já que o país projeta escassez futura de mão de obra industrial. Para formar profissionais capazes de sustentar essa transição, a China investe em escolas técnicas voltadas a inteligência artificial e robótica, como o Instituto Técnico de Hangzhou, onde estudantes ingressam a partir dos 15 anos e já aprendem a programar robôs industriais e desenvolver instrumentos médicos robóticos.
Segundo analistas ouvidos pela reportagem, os Estados Unidos ainda mantêm vantagem no desenvolvimento do software de inteligência artificial que comanda essas máquinas, mas empresas chinesas como DeepSeek e Moonshot vêm reduzindo essa distância mais rápido do que o esperado, favorecidas por uma cultura de compartilhamento de código aberto entre startups do setor, mesmo diante dos controles de exportação americanos sobre chips avançados.








