A Universidade de Oxford deu início nesta semana ao primeiro teste em humanos de uma nova vacina contra a cepa Bundibugyo do vírus Ebola, marcando um passo crucial no combate ao surto que assola a República Democrática do Congo (RDC) e Uganda. O imunizante, denominado ChAdOx1 BDBV, utiliza a mesma plataforma tecnológica da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela instituição.
O ensaio clínico de Fase I, batizado de BD-Ebov, está sendo conduzido no Reino Unido com 50 voluntários saudáveis, com o objetivo principal de avaliar a segurança e a resposta imunológica da vacina.
A iniciativa responde à declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em maio de 2026, diante da rápida disseminação da cepa Bundibugyo, para a qual não existia até então nenhuma vacina licenciada.
Produção recorde
O Serum Institute of India, parceiro na produção, conseguiu fabricar e estocar 620.000 doses da vacina candidata em apenas duas semanas. Esse estoque garante o suprimento necessário para as fases seguintes do estudo, que já estão sendo preparadas para serem realizadas diretamente na África.
Enquanto os testes de segurança ocorrem em Oxford, uma equipe do Oxford Vaccine Group e do Conselho de Pesquisa Médica (MRC) prepara a infraestrutura em Masaka, no Uganda, para os ensaios de Fase II. A previsão é que mais de 100 voluntários locais participem desta etapa, que avaliará a eficácia do imunizante em uma região de transmissão ativa do vírus.
Gravidade do surto
De acordo com especialistas, a urgência no desenvolvimento do novo imunizante é motivada pela gravidade do cenário epidemiológico nos países africanos. Até o dia 12 de julho de 2026, o surto da cepa Bundibugyo já registrou 1.926 casos confirmados e 702 óbitos na RDC e em Uganda, resultando em uma taxa de letalidade de aproximadamente 36%.
Diferentemente da cepa Zaire, que conta com vacinas aprovadas, a variante Bundibugyo permanecia sem uma defesa específica até o avanço desta pesquisa.
A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) aprovou o ensaio, que deve definir os próximos passos na corrida para conter a epidemia. Caso os resultados de segurança sejam positivos, a vacinação em larga escala nas áreas afetadas poderá ser iniciada ainda neste ano.







