A tradicional fabricante de alfajores Havanna, que vive um momento de prejuízos em sua base argentina e negocia dívidas no Brasil, colocou suas fichas em uma estratégia agressiva de internacionalização, tendo como principal trunfo uma parceria inédita com o astro Lionel Messi.
A estratégia vem depois da Havanna fechar o segundo trimestre de 2026 com um prejuízo líquido de 747 milhões de pesos argentinos, uma reversão drástica em relação ao lucro de 1,044 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior.
As vendas caíram 9,7% na comparação anual e o resultado operacional da empresa despencou 55,5%, pressionado pela inflação e pela decisão estratégica de não repassar integralmente os aumentos de custos aos preços finais.
A controladora da marca no Brasil, Café Del Plata, ingressou em agosto com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que somam R$ 127 milhões.
O processo, que envolve seis empresas do grupo, visa reestruturar passivos sem afetar a rotina das mais de 250 lojas espalhadas pelo território nacional.
A cartada Messi
Como resposta às dificuldades nos mercados domésticos, a Havanna acelera seu plano de globalização com o lançamento da linha “Havanna x LEO“, desenvolvida em parceria com Lionel Messi.
A coleção, que começa a ser distribuída em setembro de 2026, é descrita pela diretoria como uma alavanca crucial para penetrar em mercados asiáticos, do Oriente Médio e europeus, usando a imagem do craque do futebol argentino como atrativo para o público.
“Leo Messi representa valores que identificam a nossa marca: excelência, tradição e a capacidade de sonhar grande”, afirmou a companhia em nota ao anunciar a aliança.
O primeiro produto da colaboração é um pacote com 10 mini alfajores de chocolate semiamargo e doce de leite, em embalagem dourada exclusiva que mescla as identidades visuais da Havanna e da marca pessoal do atleta.
Outros investimentos
A estratégia vai além do marketing: a empresa inaugurou recentemente, em agosto, uma nova fábrica em Valência, na Espanha. Com investimento de 4 milhões de euros (cerca de R$ 24 milhões), a unidade tem capacidade para produzir 30 milhões de alfajores por ano e servirá como hub logístico para abastecer a demanda internacional.
Vale destacar, no entanto, que a produção para a América do Sul permanece concentrada em Mar del Plata.








