Motoristas de aplicativo e entregadores podem ter mais facilidade para financiar a casa própria.
A Caixa Econômica Federal passou a considerar formal a renda desses trabalhadores na avaliação de crédito.
Isso pode ampliar o acesso ao financiamento habitacional pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
Antes, esses ganhos eram classificados como renda informal. Agora, extratos emitidos pelas próprias plataformas digitais servem como comprovação.
Comprovação de renda pela Caixa Econômica Federal para entregadores e motoristas de apps
Os extratos de recebimentos emitidos por plataformas de mobilidade e delivery agora servem como comprovantes.
É necessário apresentar extratos de quatro meses consecutivos, sem interrupção, todos da mesma plataforma.
O comprovante mais recente deve ter sido emitido, no máximo, até dois meses antes da avaliação de crédito.
A Caixa verifica a consistência, a recorrência e a suficiência da renda apresentada.
A concessão do crédito continua sujeita à análise cadastral, à avaliação da capacidade de pagamento, ao enquadramento nas condições do produto e às demais exigências aplicáveis a cada modalidade.
Famílias com renda mensal de até R$ 3.200 se encaixam na Faixa 1, com limite de R$ 275 mil para o valor do imóvel.
A Faixa 2 abrange quem ganha entre R$ 3.200,01 e R$ 5 mil, e mantém o mesmo teto de R$ 275 mil para o imóvel financiado.
A Faixa 3, destinada a quem possui entre R$ 5.000,01 e R$ 9.600 de renda familiar, permite imóveis de até R$ 400 mil.
No topo está a classe média, destinada a quem recebe até R$ 13 mil por mês e permite financiamentos de até R$ 600 mil.
Crescimento da categoria e impacto na política habitacional
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou alta de 25,4% no número de trabalhadores de aplicativos entre 2022 e 2024.
O crescimento ajuda a explicar por que os bancos passaram a considerar esses trabalhadores, que enfrentavam barreiras para comprovar a capacidade de pagamento.
A mudança pode beneficiar o programa Minha Casa, Minha Vida, já que o enquadramento nas faixas de Renda passa a considerar esse público de forma mais precisa.
Segundo a Caixa, soluções financeiras ajustadas ao perfil de cada cliente podem resultar de uma avaliação mais consistente da capacidade de pagamento.
Além de reconhecer a renda desses trabalhadores como formal, a Caixa anunciou mudanças adicionais que devem injetar R$ 20 bilhões no crédito imobiliário.
Segundo o banco, devem financiar 80 mil imóveis até o fim do próximo ano.
A Caixa elevou a cota máxima de financiamento para 80% do valor do imóvel no Sistema Financeiro da Habitação, ampliando o acesso para mais pessoas.
O teto de imóveis financiáveis também foi elevado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
As mudanças beneficiam especialmente famílias com renda acima de R$ 12 mil.
O novo modelo ficará em fase de teste até o fim de 2026 e, se se revelar eficaz para ampliar a oferta de crédito, o funcionamento pleno está previsto para 2027.








