O governo do Japão anunciou, nesta semana, a elevação das taxas para emitir os vistos de entrada, que passarão a vigorar a partir de 1º de julho. De acordo com as autoridades japonesas, a decisão tem o objetivo de conter o fluxo excessivo de visitantes e cobrir custos administrativos inflacionados, colocando fim a uma tabela de preços congelada desde 1978.
Sob a nova regulamentação, o visto de entrada única vai saltar de 3.000 para 15.000 ienes (aproximadamente R$ 480), um aumento de cinco vezes do valor original. Já o visto de múltiplas entradas será majorado para 30.000 ienes (cerca de R$ 960).
Ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, defendeu a alteração como um alinhamento necessário aos padrões internacionais do G7 e uma resposta à desvalorização do iene, afirmando que as tarifas permanecem competitivas frente às taxas para acessar outros países.
Impactos na prática
A medida afeta diretamente cidadãos de países que exigem visto prévio, como China, Filipinas e Vietnã, mas poupa turistas de mais de 70 nações isentas, incluindo Brasil, Estados Unidos e membros da União Europeia (UE).
O governo projeta uma receita adicional de 116,1 bilhões de ienes no ano fiscal corrente, dos quais 60% serão destinados exclusivamente a programas de mitigação do chamado “overtourism“, que é o turismo em excesso, e modernização consular.
Em movimento coordenado, a taxa de saída internacional do país também foi reajustada, passando de 1.000 para 3.000 ienes para todos os viajantes que deixarem o arquipélago a partir da próxima semana.
Expectativas e reações
De acordo com a imprensa local, a notícia foi recebida de forma mista. Dentro do Japão, a medida foi vista de forma positiva, com moradores de áreas que históricamente sofrem de “overtourism” aliviados.
Enquanto isso, algumas organizações de defesa dos imigrantes condenaram a medida. A Associação de Advogados de Tóquio classificou o aumento como um “fardo súbito e excessivo” para estrangeiros, alertando que as políticas de imigração estão se tornando “excessivamente restritivas”.
Analistas do setor, como a Nomura Securities, estimam um impacto marginal na demanda total, prevendo uma redução de apenas 1,7% no número de visitantes. Apesar disso, o governo japonês ainda projeta que o país deve, neste ano, superar a marca dos 42 milhões de visitantes que recebeu em 2025.
Vale relembrar também que, apesar do aumento do controle no fluxo turístico, o Japão vem aumentando a possibilidade de contratação de profissionais estrangeiros para reforçar a mão de obra no país.




