Por que Valdemar Costa Neto jogou as emendas no Turismo
Presidente do PL priorizou essa área ao direcionar emendas parlamantares, mesmo sem ter cargo no Congresso
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino mandou bloquear até 119 milhões de reais do patrimônio de Valdemar Costa Neto (foto), presidente nacional do PL.
O valor corresponde ao que teria sido desviado em uma ação comandada por Valdemar, com a participação de três servidores, que teriam decidido o direcionamento de emendas parlamentares.
Na decisão de Dino, os três funcionários públicos conversam entre si sobre como deveriam preencher os documentos com o destino das emendas para os municípios, seguindo as orientações dadas por Valdemar (ou VCN).
Leia em O Antagonista: "Fechou o valor do presidente Valdemar?"
No dia 25 de agosto de 2025, o advogado Garigham Amarante Pinto escreveu a Mariângela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados: “Marquei com o Valdemar amanhã 10:30”.
Em seguida, ele acrescenta: “Acho que ele vai jogar no turismo os 24 [milhões]. Pode ser?”.
A servidora respondeu que verificaria a possibilidade de concentrar os recursos na área. Em seguida, Garigham reforçou: “Pode colocar o máximo que der. Ele [Valdemar, segundo a PF] tá querendo Turismos (sic)”.
Menos burocracia
Existem algumas possíveis explicações para Valdemar Costa Neto priorizar a área de turismo no direcionamento de emendas parlamentares.
Em geral, recursos para o turismo financiam shows, festas regionais, reformas de praças, portais de entrada de cidades e pavimentação de vias turísticas.
São convênios simples de aprovar, cujos resultados aparecem rápido e são muito visíveis. Com isso, costumam render votos para o prefeito em uma tentativa de reeleição.
Além disso, o controle burocrático normalmente é menor e é mais difícil ter uma dimensão dos valores envolvidos.
"As emendas de turismo são fáceis de caber em qualquer programa. Elas podem ser usadas para melhoria urbana, iluminação, praça, compra de veículo, reforma de prédios públicos e até programas que envolvam guias turísticos ou capacitação e produções culturais. Nesses casos, é muito difícil ter o controle do que realmente foi feito, se aquela aula ou execução turística realmente aconteceu", diz Bruno Bondarovsky, idealizador da Central de Emendas, uma plataforma online que permite acompanhar o destino das emendas brasileiras.
"Também é difícil saber se os produtos eventualmente comprados foram os mesmos que os entregues. O próprio Ministério do Turismo não parece ter uma política muito restritiva. Até agora, a gente nunca encontrou uma emenda do turismo que tenha sido suspensa ou cancelada. Mais de 70% dessas emendas são de comissão, que sofrem maior influência dos líderes partidários."
As emendas ainda vão para prefeituras, estados e para organizações da sociedade civil. "Essas organizações são de mais difícil controle, porque não têm os mesmos mecanismos que os órgãos públicos", diz Bondarovsky.
Leia em O Antagonista: Defesa de Valdemar diz que decisão de Dino criminaliza a política
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)