Flávio vai para Washington enquanto Lula não tem pressa
De acordo com Thiago Vidal, da Prospectiva, governo brasileiro prefere aguardar as eleições nos dois países
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente, participará nesta terça, 7, de uma audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Pela manhã, seu irmão Eduardo Bolsonaro publicou uma foto dos dois em uma mesa (foto).
"Ao lado de Eduardo Bolsonaro e a postos para fazer uma defesa técnica e que proteja todas as empresas brasileiras de um possível tarifaço", escreveu Flávio, comentando a postagem do irmão.
As audiências públicas, que começaram na segunda, 6, buscam averiguar se políticas brasileiras têm prejudicado empresas americanas.
Para Thiago Vidal, diretor de análise política da Prospectiva, a presença de Flávio pode contaminar o processo.
"Existe efetivamente um risco de que a fala do senador Flávio Bolsonaro contamine as discussões técnicas com questões políticas", acredita Vidal. "Mas o processo em si também já está politizado."
"Isso não significa dizer que a fala de Flávio, por si só, será determinante para o desfecho das análises do USTR em relação à Seção 301, mas elas podem jogar lenha em uma fogueira que já vem sendo usada pela direita bolsonarista há bastante tempo."
Lula
Vidal acredita que o governo Lula não tem se empenhado para resolver as pendências no menor tempo possível.
"Formalmente, o governo Lula está interessado em resolver as questões da Seção 301, mas não há uma leitura nos bastidores de que o governo esteja efetivamente comprometido em resolver antes do final do ano", afirma o analista.
Dentro do Palácio do Planalto, há uma premissa de que é melhor esperar a eleição presidencial no Brasil e as legislativas de meio mandato nos Estados Unidos, em novembro.
O argumento é de que o resultado eleitoral nos dois países poderia mudar o cenário político e favorecer o Brasil em negociações futuras.
"Essa é uma leitura arriscada. Não acho que uma mudança no controle das duas casas do Congresso americano, por si só, garantiria uma vida fácil para o governo Lula no Brasil. Isso parte de uma premissa de que o próximo Congresso em Washington vai se preocupar mais com questões internacionais e com países específicos — algo que ainda precisaria ser testado."
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Comentários (1)
Joaquim Duran
2026-07-07 14:58:28Lula e Bolsonaro dividindo a cela.