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EUA impõem sanções a brasileiros e empresas ligadas ao PCC
Trump. Foto: Molly Riley
Diários 01.07.2026 15:11 4 minutos de leitura

EUA impõem sanções a brasileiros e empresas ligadas ao PCC

Tesouro americano acusa grupo de lavar mais de US$ 30 milhões do narcotráfico e classifica PCC como "maior organização criminosa do hemisfério"

Crusoe
Redação Crusoé

O Departamento de Tesouro americano anunciou nesta quarta, 1º, a aplicação de sanções contra dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma companhia portuguesa por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os brasileiros sancionados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

Segundo o governo americano, a dupla atuava como elo entre integrantes do PCC sediados na Flórida e traficantes estrangeiros.

De acordo com o comunicado, a organização lavou mais de US$ 30 milhões em recursos provenientes de atividades ilícitas gerados em diversas cidades dos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para transferir os valores de volta ao Brasil em benefício do PCC.

"O PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos EUA, já que seus agentes em todo o país, particularmente na Flórida, lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de criminalidade", diz trecho da nota.

"Em janeiro de 2025, Shimada ficou brevemente em prisão domiciliar no Brasil porque uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobrança e Tecnologia Ltda.  (Victory Trading), foi usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária."

As sanções econômicas também foram aplicadas às empresas Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda, Wave Construcoes Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, de Portugal.

"Maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental"

No comunicado, o Tesouro afirma que o PCC é a "maior organização criminosa transnacional (OCT) do Hemisfério Ocidental".

"Nos Estados Unidos, o PCC representa uma ameaça criminal real e crescente. Redes como a alvo desta investigação se envolvem em tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas para gerar fluxos de receita para o PCC. Ações recentes das autoridades brasileiras revelaram uma operação de lavagem de dinheiro baseada em comércio controlada pelo PCC, utilizando uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico para lavar mais de US$ 190 milhões em sete meses."

"Mudança de paradigma"

A professora de direito internacional da USP Maristela Basso afirma que a aplicação de sanções representa uma "mudança de paradigma".

"Durante décadas, organizações como o PCC eram vistas como um problema de segurança pública brasileira. Agora passam a ser tratadas pelos Estados Unidos como organizações com potencial impacto na própria segurança nacional americana", diz.

Segundo Maristella, a medida possibilita que os Estados Unidos congelem ativos, bloqueiem operações financeiras, proibam negócios com pessoas ligadas ao PCC e responsabilizem quem facilite as operações com o PCC.

Ela também afirma que empresas brasileiras podem ser afetadas pelas sanções.

"Qualquer empresa que mantenha operações internacionais precisará reforçar seus mecanismos de compliance. Bancos, fintechs, exportadoras, importadoras e empresas com negócios em dólar passam a ter um dever ainda maior de diligência para evitar qualquer vínculo — mesmo indireto — com pessoas ou empresas sancionadas", diz.

Atuação na Flórida

Há múltiplos registros da atuação das duas maiores facções criminosas brasileiras em solo americano.

Na Flórida, o PCC é investigado pelo FBI por investir na compra de imóveis com o objetivo de lavar dinheiro em dólar.

Em 2024, o traficante Diego Macedo Gonçalves, conhecido como “Brahma”, ligado ao PCC, foi incluído na lista de sanções do Tesouro americano por envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

Investigações da Polícia Federal (PF) revelaram que armas e peças são adquiridas por intermediários nos Estados Unidos e enviadas ilegalmente ao Brasil com destino ao CV.

Em 2017, sessenta fuzis vindos de Miami foram apreendidos no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

Leia mais: De faccionados para terroristas


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