A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu neste final de semana, um alerta de que a epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) está matando uma pessoa a cada 30 minutos. “O ebola está vencendo na República Democrática do Congo”, declarou Tom Fletcher, chefe de assuntos humanitários da ONU.
O pior surto da história
Três meses após a declaração oficial do 17º surto de ebola no país, em 15 de maio de 2026, os números atingiram marcas históricas. Segundo dados do governo congolês divulgados neste domingo (16), a epidemia já causou 2.325 mortes entre 4.945 casos confirmados.
De acordo com as autoridades, esses números superam o do surto de 2018-2020 e o tornam o surto mais mortal registrado na RDC. Segundo especialistas, a principal razão disso é o fato que ainda não existe vacina licenciada e nem tratamento específico para a Bundibugyo, atual variante da ebola que ataca a população do país.
Diante da escalada, Fletcher anunciou a liberação de US$ 30,5 milhões adicionais do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) da ONU, somando-se aos US$ 24 milhões já destinados anteriormente.
Os recursos serão usados para desplegar equipes médicas, equipamentos de proteção e logística em áreas de difícil acesso na província de Ituri, epicentro da epidemia, onde se concentram 86,9% dos casos.
Os Estados Unidos comprometeram-se a financiar a criação de até 50 clínicas de tratamento na RDC e em Uganda, que já registrou 20 casos importados, além de destinar US$ 107 milhões através do CDC para fortalecer a resposta regional.
Conflitos e fome agravam a crise
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a resposta à doença é comprometida pelo contexto de violência e insegurança alimentar no leste da RDC. Estima-se que 2,6 milhões de pessoas na região sofram de desnutrição grave, o que dificulta a adesão a medidas de quarentena e enfraquecendo o sistema imunológico das populações.
Além disso, o deslocamento de milhões de pessoas devido a conflitos armados cria corredores de transmissão, o que dificulta o rastreamento de contatos e aumenta as chances de contágio entre as comunidades.
“A epidemia é a mais rápida já registrada. Mais de 2 mil pessoas já morreram. Muitas outras estão em risco. O mundo precisa despertar e se mobilizar”, pediu Fletcher.
Devido ao nível de perigo do surto, a OMS mantém a classificação de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (PHEIC) no país desde 17 de maio.







