Gustavo Petro tem mandato suspenso na Colômbia
Presidente de uma comissão da Câmara dos Deputados afirma que presidente interferiu na campanha eleitoral
A Comissão de Investigação e Acusação da Câmara dos Deputados da Colômbia emitiu nesta quarta, 10, uma ordem suspendendo o mandato do presidente do país, Gustavo Petro (foto), até o dia 21 de junho, quando ocorre o segundo turno da eleição.
Segundo a presidente da Comissão, Gloria Arizabaleta, Petro cometeu uma "falta grave" por "intervenção na política" durante a campanha para o segundo turno.
Gloria e Petro são do mesmo partido, o Pacto Histórico.
A ordem judicial diz que Petro se enquadra na "proibição de intervenção política prevista no Artigo 60, parágrafos 1 e 2, da Lei 1952 de 2019, classificada como crime gravíssimo".
Segundo Arizabaleta, o presidente teria violado o "dever de neutralidade dos servidores públicos durante uma disputa eleitoral".
Publicações de Petro no X nos dias 6, 7 e 8 de junho teriam configurado participação indevida na política.
A medida cautelar é inédita e deve ser derrubada pelo Senado.
Abelardo de la Espriella
A medida tem sido questionada por especialistas em direito e também por políticos.
Abelardo de la Espriella, vencedor do primeiro turno e favorito para o segundo, questionou a decisão no X.
"A suspensão de Petro é um ato legislativo de autossabotagem. Eu venho alertando sobre isso: Petro quer fraudar as eleições", afirmou Abelardo de la Espriella.
"Hoje o país amanhece com um novo entrave jurídico, produto de um acerto feito dentro do governo, do petrismo. A Câmara dos Deputados não tem nenhuma capacidade legal ou constitucional para suspender o presidente da República, muito menos uma comissão. Essa função é exclusiva do Senado. O que acaba de acontecer é um autoatentado legislativo desenhado sob medida para Gustavo Petro, para que ele possa fazer campanha e possa sair tranquilo, enquanto se vitimiza e bota fogo no país", afirmou Abelardo.
"Isso não é improvisação. É um golpe de Estado feito passo a passo."
"Petro continua sendo um guerrilheiro, um subversivo e não quer entregar o poder", disse Abelardo.
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