Contagem no Peru anda rápido e devagar
Roberto Sánchez levou a melhor na contagem rápida do Ipsos, mas Keiko lidera por 0,17 ponto com 93% das urnas apuradas
A contagem dos votos nas eleições presidenciais no Peru tem "duas formas de pensar", como diria o economista Daniel Kahneman: rápido e devagar.
A forma rápida (conteo rápido integral, em espanhol) é feita por uma empresa privada, a Ipsos, com base em modelos estatísticos e informações colhidas de uma amostra de atas de votação oficiais.
"A apuração rápida e abrangente baseia-se em uma amostra de 1.037 seções eleitorais selecionadas aleatoriamente e representativas em 124 províncias das 25 regiões do Peru, além de 8 cidades no exterior com grande população peruana. As estimativas terão um nível de confiança de 95% e permitirão antecipar tendências nas eleições presidenciais e para o Senado", prometia a Ipsos em seu site.
O resultado da contagem rápida feita pela Ipsos saiu na noite de domingo, 7: Roberto Sánchez, de esquerda, venceu com uma diferença menor que 50 mil votos.
A contagem rápida, contudo, não tem valor algum, uma vez que é baseada em amostragem.
Seu valor, na verdade, está em dar transparência e credibilidade ao processo oficial. Por ser feito por uma empresa independente, espera-se que o resultado da contagem rápida seja próximo da contagem oficial, que pode demorar até um mês.
Quem faz a contagem oficial é a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, foto).
Se os números forem muito discrepantes, isso poderia indicar alguma fraude.
No segundo turno das eleições de 2001, a diferença entre a contagem rápida e a oficial foi de 0,9 ponto.
Nas eleições mais recentes, essa diferença não passou de 0,4 pontos.
No Peru, os resultados oficiais costumam demorar porque é preciso contabilizar o voto de regiões distantes nos Andes, além dos votos no exterior.
O problema destas eleições é que a diferença entre os dois candidatos é pequena demais.
Com 93% das urnas apuradas, Keiko Fujimori está com 50,1% e Roberto Sánchez, com 49,9%.
É empate técnico. Mas os "votos do Nordeste" ainda estão para chegar.
Entre os votos que demoram mais para serem contados, os do exterior devem favorecer a Keiko.
Mas aqueles votos que são de regiões rurais e andinas — mais numerosos — tendem a favorecer Roberto Sánchez.
Então já se esperava que a vantagem de Keiko durante a contagem fosse diminuindo aos poucos.
Com uma eleição tão apertada (o Peru já teve outras muito parecidas), o resultado só será conhecido quando todas as urnas forem apuradas pela conagem oficial.
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