Trump não está nem aí para as legislativas
Com aprovação de apenas 36%, presidente deve prejudicar desempenho do Partido Republicano este ano
O presidente americano Donald Trump (foto) está com sua aprovação em apenas 36%, segundo o instituto de pesquisas Gallup.
O dado é apenas dois pontos acima de sua menor aprovação histórica, incluindo seu primeiro mandato.
Sua desaprovação é altíssima, na casa dos 60%.
O índice tem tudo para ser tóxico ao Partido Republicano, que, nas eleições legislativas de meio mandato, em novembro, deve perder a maioria na Casa dos Representantes e pode até ter de abrir mão do controle no Senado.
Com essa previsão catastrófica, era de se esperar que Trump moderasse suas ações, como a guerra no Irã, para evitar prejudicar o Partido Republicano no pleito legislativo.
Mas Trump é um presidente diferente.
Ao ser questionado durante uma reunião de gabinete na semana, ele afirmou: "Não me importo com as eleições de meio de mandato".
Decretos
Trump precisa menos do Partido Republicano do que o Partido Republicano precisa dele.
Ele sabe que não terá mais um mandato na Casa Branca, porque a Constituição não o permite.
Tampouco Trump precisa do Congresso para governar, uma vez que tem usado principalmente decretos presidenciais.
O desdém de Trump com congressistas republicanos é cada vez maior.
Na quarta, 3, a Câmara aprovou uma resolução para que os Estados Unidos retirem suas forças do conflito com o Irã. A resolução contou com o apoio de quatro republicanos.
Trump deu de costas e chamou os republicanos de "incompetentes".
"Quem faria uma coisa tão antipatriótica?", perguntou Trump na sua rede Truth Social.
O tema ainda precisa ir para o Senado e, caso aprovado, Trump ainda pode vetá-lo.
De acordo com o analista Clayton Allen, da consultoria Eurasia, Trump age desse modo porque está mais preocupado com o seu legado do que com o futuro do Partido Republicano.
“A disputa sobre o nome do Kennedy Center, as várias propostas para monumentos, estátuas, arcos, comemorações históricas – tudo isso aponta para um presidente focado em seu legado”, diz Allen.
“Essas não são as prioridades de um político focado em proteger distritos indecisos. São as prioridades de um político focado em como a história se lembrará dele”, afirma.
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