A republiqueta insignificante de Lula
Reação do petista foi muito mais política e destemperada que a dos demais países afetados pela proposta americana
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos propôs a imposição de tarifas a 60 países por importarem bens produzidos com trabalho forçado, o que em tese prejudicaria empresas americanas que competem globalmente.
Entre esses 60 países está o Brasil.
A reação de Lula, contudo, foi muito mais raivosa e política que a dos demais, o que dá uma boa dimensão de como o processo eleitoral deste ano e o temperamento do presidente estão afetando nossa política externa e comercial.
Pego de surpresa
"Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles e antes de ontem e mais ainda. O que é triste é que tem brasileiros, que eu não vou citar o nome aqui, brasileiros fomentando essa briga na perspectiva de que, se ele, ele vai prejudicar uma candidatura a presidente da República. O imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo", afirmou o presidente durante reunião ministerial na quarta, 3.
"Nós estamos num momento decisivo para que uma parte da sociedade mundial reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país, a nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que esse país não seja tratado, em nenhum momento, como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes. Nós temos muita história", disse Lula.
O presidente ainda atacou o secretário de Estado Marco Rubio, a quem chamou de "latino-americano frustrado".
"Esse Marco Rubio não gosta de América Latina e muito menos do Brasil", afirmou.
Sensatez
No resto do mundo, a reação foi mais institucional e contida.
A Comissão Europeia publicou uma nota. “A Comissão analisará cuidadosamente as conclusões preliminares da investigação e continuará a dialogar com a Administração dos EUA. Dito isto, a UE considera injustificadas as tarifas impostas com base nestes motivos”, diz o comunicado assinado pelo porta-voz-adjunto Olof Gill.
A Índia evitou qualquer retórica agressiva. Apenas declarou que "continuará mantendo discussões e canais abertos com os Estados Unidos".
O ministro de Relações Exteriores do Vietnã disse que as políticas proíbem qualquer forma de trabalho forçado e que adota as regras da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A ditadura chinesa negou a existência de trabalho, omitindo as violações de direitos humanos contra muçulmanos uigures na província de Xinjiang.
Nenhum deles atacou adversários internos ou o secretário de Estado Marco Rubio que, aliás, nada tem a ver com as tarifas.
Lula não quer negociar com os EUA.
O que ele quer é se reeleger este ano.
Mesmo que isso custe manter o Brasil como uma republiqueta insignificante para sempre.
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Comentários (1)
Joaquim Duran
2026-06-04 12:38:28Prá onde correr???