Como as dívidas influenciam o voto
Pesquisa BTG-Nexus mostra que brasileiros com dívidas em atraso tendem a votar em candidatos da oposição
Pesquisa BTG-Nexus divulgada nesta segunda, 25, aponta que 25% dos brasileiros têm dívidas ou compromissos financeiros atrasados há mais de 30 dias.
Nesse grupo, 39% pretendem votar em Flávio Bolsonaro no primeiro turno e 36% no presidente Lula. O senador de oposição tem uma vantagem de 3 pontos entre os que estão com dívidas em atraso.
No grupo de pessoas que não têm dívidas, Lula lidera com 44%. Flávio fica com 32%.
A situação financeira periclitante, portanto, parece influenciar o voto na oposição.
Além disso, dívidas em atraso também determinam a aprovação do governo.
No grupo dos brasileiros com dívidas em atraso, 48% desaprovam o governo Lula e 46% aprovam.
Entre os que não têm dívidas, 50% aprovam o governo e 45% desaprovam.
Desenrola
Com o programa Desenrola 2.0, o governo Lula pretende reduzir o mau-humor com o governo, a quatro meses das eleições gerais.
De acordo com a BTG-Nexus, 73% de todos os entrevistados souberam do programa.
Entre os que possuem alguma dívida, 6% dizem já ter renegociado com base no Desenrola 2.0.
Outros 30% afirmam que pretendem negociar alguma dívida no programa.
Efeito eleitoral
Em artigo para Crusoé, o estrategista eleitoral Roberto Reis não acredita que o programa possa ajudar o governo nesta eleição.
"Aqui está o ponto político central: a renegociação gera sensação inicial de fôlego, alívio, respiro. Depois, gera um carnê mensal duradouro. Quem renegociar em maio começa a pagar em junho. Quem renegociar em agosto começa a pagar em setembro. Outubro, mês da eleição, tende a ser mês de parcela recorrente", escreveu Reis.
"O problema eleitoral vai voltar na cara do governo quando ele mais precisa. O eleitor vota com a sensação concreta daquele mês. Nome limpo ajuda? Sim. Juros menores ajudam? Sim. Desconto ajuda. Mas a dívida continua existindo e o eleitor pensa no curto presente."
"A parcela entrou no orçamento, tirou outras coisas do lugar. Menos qualidade de vida, menos poder de compra. Quando a renda já estava apertada, cada novo compromisso mensal ocupa o lugar de alguma coisa: supermercado, farmácia, escola, gasolina, gás. A situação está crítica", escreveu o colunista de Crusoé.
Leia em Crusoé: Não vai desenrolar
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