A guerra cada vez mais cara de Trump
O desgaste já se reflete na dificuldade de Donald Trump em garantir apoio até mesmo dentro do próprio partido
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos enfrenta um aperto financeiro cada vez mais grave para bancar o conflito com o Irã, com recursos de operações essenciais previstos para se esgotar em poucas semanas, segundo informações do Washington Post.
Para tentar reverter o quadro, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, deve comparecer nesta terça-feira ao Comitê de Apropriações do Senado em busca de uma solução urgente junto aos parlamentares.
A situação se agravou depois que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ruiu, seguido pela morte de mais quatro soldados americanos em combate. A Casa Branca pediu ao Congresso um reforço imediato de 67 bilhões de dólares. Os republicanos da Câmara trabalham em um pacote de 73 bilhões, alguns bilhões acima do pedido pelo Executivo.
Segundo a reportagem, autoridades atuais e ex-integrantes do governo dizem que a falta de verba já obriga o Pentágono a reduzir treinamentos e manutenção de equipamentos, medidas que comprometem a prontidão das Forças Armadas, que já estariam com estoques baixos de alguns tipos de armamentos estratégicos, como mísseis.
Parte do orçamento de 2026 destinado às operações da Marinha e da Força Aérea deve se esgotar ainda este mês, obrigando o remanejamento emergencial de bilhões de dólares de outras áreas.
O impasse político dificulta uma resposta rápida. A Câmara entra em recesso nesta semana, adiando qualquer acordo por pelo menos um mês, enquanto democratas resistem a liberar novos recursos para uma guerra sem apoio bipartidário.
Segundo reportagens recentes, a situação é agravada pelo fato de o Pentágono já ter reprovado várias auditorias financeiras seguidas, o que torna difícil precisar quanto já foi de fato gasto na guerra.
O custo político também pesa: pesquisas recentes mostram crescente rejeição popular ao conflito, hoje comparável às piores avaliações da guerra no Afeganistão. Além do custo militar direto, a prolongada instabilidade no Oriente Médio mantém pressão sobre o preço do petróleo e aumenta a volatilidade nos mercados internacionais, com reflexos também sobre a economia americana, onde o galão da gasolina voltou a alcançar a casa dos 4 dólares.
O desgaste político do conflito já se reflete na dificuldade de Trump em garantir apoio até mesmo dentro do próprio partido, num momento em que a guerra se mostra cada vez mais impopular e financeiramente pesada. A Casa Branca pede 1,5 trilhão de dólares para o orçamento de Defesa de 2027, provocando resistência entre aliados republicanos no Congresso.
Essa crise de liquidez ocorre em meio a baixas inesperadas para Trump no Senado: o presidente do subcomitê de Defesa, Mitch McConnell, está afastado por lesão, e o senador Lindsey Graham morreu repentinamente na semana passada.
Sem uma sinalização de acordo rápido, o Pentágono deve seguir fazendo escolhas cada vez mais difíceis para manter as operações no Oriente Médio.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)