Xi Jinping deixa clara sua preferência por Putin
O encontro entre os ditadores russo e chinês aconteceu cinco dias após Donald Trump passar por Pequim
O ditador russo, Vladimir Putin, encontrou-se com o ditador chinês, Xi Jinping, nesta quarta, 20, em Pequim (foto).
A reunião ocorreu apenas cinco dias depois de o presidente americano, Donald Trump, passar pela capital chinesa.
O tom completamente diferente das notas publicadas pela agência estatal Xinhua após a visita do americano e do russo deixa evidência a preferência de Xi pelo segundo.
Armadilha de Tucídides
A nota após o encontro com Trump traz uma frase de Xi, em aspas, levantando dúvidas sobre o futuro do relacionamento entre os dois.
"Podem a China e os Estados Unidos superar a Armadilha de Tucídides e criar um novo paradigma para as relações entre grandes potências? Podemos enfrentar juntos os desafios globais e proporcionar maior estabilidade ao mundo? Podemos construir juntos um futuro brilhante para as nossas relações bilaterais, no interesse do bem-estar dos dois povos e do futuro da humanidade? Estas são questões vitais para a história, para o mundo e para os povos", disse Xi.
A Armadilha de Tucídides se refere à Guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta, que aconteceu porque Atenas cresceu e passou a rivalizar com Esparta. Da mesma maneira, a China está em ascensão e está rivalizando com os Estados Unidos.
Xi ainda cutuca os Estados Unidos mencionando Taiwan, país que pode ser invadido pela China e conta com proteção americana.
"Em relação à questão de Taiwan, Xi Jinping enfatizou que ela é o tema mais importante nas relações China-EUA. Se for tratada adequadamente, a relação bilateral desfrutará de estabilidade geral. Caso contrário, os dois países terão confrontos e até mesmo conflitos, colocando toda a relação em grande risco, disse Xi, instando os EUA a exercerem extrema cautela ao lidar com a questão de Taiwan", afirma a nota.
O texto chinês também faz questão de marcar que o mandato de Trump acaba daqui a três anos — problema com o qual Xi Jinping não tem que lidar.
"A nova visão fornecerá orientação estratégica para as relações bilaterais nos próximos três anos e além, e deve ser bem recebida pelos povos de ambos os países, bem como pela comunidade internacional, afirmou ele", segue o texto da Xinhua.
Perspectiva estratégica de longo prazo
A nota feita após a visita de Putin, por outro lado, é assertiva.
Não há na primeira declaração de Xi qualquer dúvida sobre a relação entre os dois países. Muito pelo contrário.
"Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e importantes potências mundiais, a China e a Rússia devem adotar uma perspectiva estratégica de longo prazo, impulsionar o desenvolvimento e a revitalização de seus respectivos países por meio de uma coordenação estratégica abrangente de ainda maior qualidade e trabalhar para tornar o sistema de governança global mais justo e razoável", disse Xi.
"A confiança política mútua aprofundou-se ainda mais, a cooperação em diversas áreas, como comércio e economia, investimento, energia, ciência e tecnologia, intercâmbios interpessoais e subnacionais, continuou a avançar, e os laços entre os dois povos se fortaleceram, acrescentou Xi", afirma a nota.
Para Xi e Putin, a parceria entre os dois países tem uma missão a cumprir em um mundo instável.
"Durante a visita de Putin, a China e a Rússia emitiram uma declaração conjunta sobre a promoção de um mundo multipolar e um novo tipo de relações internacionais", segue a Xinhua.
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