Uma das maiores redes de farmácias do país começa a deixar a escala 6×1 para trás. A São João, maior rede do Rio Grande do Sul, está em processo de migração para a escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de folga, não necessariamente consecutivos. A empresa tem sede na cidade de Passo Fundo, cerca de 1,25 mil lojas e mais de 24 mil funcionários.
O presidente da rede, Pedro Brair, confirmou que a transição já está em andamento. Segundo ele, a empresa está em fase de adaptação em várias unidades.
Como funciona a mudança?
A migração para o 5×2 não exige, necessariamente, aumento no quadro de funcionários. Se a jornada semanal for mantida em 44 horas, o regime de compensação horária resolve a equação, mediante acordo entre empregado e empregador ou autorização prevista em convenção coletiva de trabalho.
O advogado trabalhista Flávio Obino Filho, consultor de entidades do varejo, explica que o regime já é aplicado em contratos administrativos, com jornadas de 8h48min por dia. Para atividades insalubres, é necessária autorização do Ministério do Trabalho ou acordo coletivo. No comércio, as convenções da categoria já preveem essa possibilidade.
Caso a jornada seja reduzida para 40 horas semanais, aí sim seria preciso ampliar o número de trabalhadores.
Antecipando o congresso
A mudança na São João ocorre antes de qualquer obrigação legal. A mudança vem em contexto com a tramitação, no Congresso, de projetos que propõem proibir a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Além dos projetos políticos, especialistas afirmam que empresas que adotam o 5×2 voluntariamente se posicionam como mais atraentes para os trabalhadores no mercado de trabalho. O presidente da Federação dos Empregados do Comércio do RS (Fecosul), Guiomar Vidor, avalia que quem não avançar nessa direção enfrentará dificuldades para contratar e reter funcionários.
Por outro lado, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA), Carlos Klein, destaca que a adaptação não é a mesma para todo mundo. Grandes empresas, com mais funcionários, têm mais facilidade para reorganizar as escalas. Para negócios pequenos, com dois ou três trabalhadores, o impacto é muito maior




