A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional devido a um surto de ebola que avança pela República Democrática do Congo (RDC) e pela Uganda, na África. O anúncio foi feito nesta semana.
O surto atual é causado pela variante Bundibugyo. Até o dia 16 de maio, a província de Ituri, na RDC, registrava oito casos confirmados em laboratório, 246 casos suspeitos e 80 óbitos em investigação. O vírus já chegou a Kampala, capital da Uganda, onde dois pacientes vindos da RDC foram internados em unidades de terapia intensiva.
Confira a reportagem abaixo para entender mais sobre o caso:
Vírus com cinquenta anos de história na região
A ebola não é uma doença nova na África; o vírus é conhecido por sumir e ressurgir diversas vezes. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, durante um surto no então Zaire, atual RDC , em comunidades rurais próximas ao rio Ebola, que deu nome à doença. Desde então, a doença tem sido marcada por letalidade altíssima.
A transmissão para humanos ocorre por meio do contato com animais silvestres infectados, como morcegos frutívoros e primatas. Entre pessoas, o vírus se espalha por meio do contato direto com sangue e fluidos corporais.
Durante décadas, os surtos ficaram restritos a regiões isoladas. O cenário atual, porém, é diferente. O vírus cruzou fronteiras internacionais e avançou para zonas urbanas e semiurbanas, o que dificulta o controle e amplia o risco de dispersão.
A infectologista Dra. Sumire Sakabe, do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas, aponta que ainda há muito o que é desconhecido sobre o alcance do surto. Segundo ela, a presença de casos em áreas diversas e a morte de quatro profissionais de saúde levantam suspeitas de transmissão no interior dos serviços de saúde.
Por que ficou mais difícil combater a doença?
Historicamente, o enfrentamento ao ebola avançou com o desenvolvimento de vacinas contra a variante Ebola-Zaire, responsável pelas epidemias de 2018 e 2019. O problema é que não há imunizantes nem terapias aprovadas contra a cepa Bundibugyo, que está em circulação atualmente.
Além disso, o ambiente em que o vírus se expande é particularmente desfavorável ao controle. A instabilidade social na RDC, o deslocamento constante de populações e a fragilidade dos sistemas de saúde locais criam condições para que o ciclo do vírus se perpetue.
A OMS vai convocar seu Comitê de Emergência para definir recomendações coordenadas diante do novo patamar da crise.




