Rubio exalta força militar da Ucrânia: "A mais forte da Europa"
Secretário de Estado dos EUA afirma que guerra levou Kiev a desenvolver novas tecnologias e que Rússia perde cinco vezes mais soldados
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o exército ucraniano se tornou o mais "poderoso" da Europa após adquirir novas experiências no campo de batalha desde a invasão russa.
"Não há dúvida de que a necessidade de lutar essa guerra fez com que os ucranianos desenvolvessem novas táticas, novas técnicas, novos equipamentos, novas tecnologias que estão criando uma guerra assimétrica híbrida. Isso é impressionante, sem dúvida", diz Rubio na viagem para Pequim.
Segundo ele, as forças russas estão sofrendo perdas muito maiores que as da Ucrânia.
"Quero dizer que, quando você olha, os russos estão perdendo cinco vezes mais soldados por mês do que os ucranianos estão. E a Ucrânia é um país menor, um exército menor, embora as Forças Armadas ucranianas são as forças mais fortes e poderosas de toda a Europa. Só para deixar claro, agora. Obviamente, porque muito da ajuda que eles receberam, mas também por causa da experiência que eles adquiriram no campo de batalha."
Expertise
Logo que eclodiu a guerra no Irã, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, identificou uma rara janela de oportunidade para reposicionar seu país no tabuleiro geopolítico.
A Ucrânia é, hoje, o único país a ter enfrentado em larga escala drones de longo alcance do tipo Geran-2/Shahed.
Essa experiência acumulada gerou um banco de dados operacional valioso: desempenho de interceptadores, falhas de radar, padrões de voo e eficácia de mísseis.
Desde o início da invasão russa, Kiev passou a encarar o conflito como um laboratório de guerra contemporânea.
"A Ucrânia tem sido muito eficiente em usar informações de radares e recursos de inteligência artificial para se defender dos ataques de drones", explica Fabrício Vitorino, doutorando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina.
"Ao ajudar países árabes a utilizar esses dados, os ucranianos podem conseguir recursos para financiar o seu próprio esforço de guerra", diz Vitorino.
Posicionamento
Mais do que obter contratos no Oriente Médio, Kiev tem tentado vender uma narrativa de que a guerra no Irã é uma extensão da invasão russa à Ucrânia.
Em 2022, Teerã forneceu tecnologia para a Rússia produzir em massa drones do tipo Shahed.
Ao oferecer soluções para combater a ameaça aérea dos drones, a Ucrânia deixa de ser vista apenas como uma vítima passiva e passa a ser reconhecida como um ator com expertise em guerra, com o qual é importante aliar-se.
Quatro anos após o início da invasão russa, a Ucrânia não apenas resiste, mas se reposiciona como um ator estratégico no mercado global de defesa.
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