Meloni reclama de 'deepfake': "Me melhorou bastante"
Circula nas redes sociais, uma imagem falsa da primeira-ministra da Itália retratada de lingerie
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reclamou nesta terça-feira, 5, de uma deepfake com sua imagem que está circulando nas redes sociais.
Gerada por inteligência artificial (IA), a imagem falsa retrata a premiê italiana de lingerie em uma cama.
Ao denunciar a deepfake, Meloni instruiu seus seguidores no X a "verificar antes de acreditar, e acreditar antes de compartilhar".
"Nos últimos dias, várias fotos falsas minhas estão circulando, geradas com inteligência artificial e apresentadas como verdadeiras por algum opositor zeloso.
Devo reconhecer que quem as criou, pelo menos no caso anexado, também me melhorou bastante. Mas o fato permanece: a qualquer custo para atacar e inventar falsidades, agora se usa realmente qualquer coisa.
O ponto, no entanto, vai além de mim. Os deepfakes são uma ferramenta perigosa, porque podem enganar, manipular e atingir qualquer um. Eu posso me defender. Muitos outros não.
Por isso, uma regra deveria valer sempre: verificar antes de acreditar, e acreditar antes de compartilhar. Porque hoje acontece comigo, amanhã pode acontecer com qualquer um."
Deepfakes na Alemanha
Na Alemanha, milhares de pessoas foram às ruas em março para manifestar apoio à atriz e apresentadora Collien Fernandes, que acusa o ex-marido, o ator Christian Ulmen, de ter divulgado vídeos pornográficos falsos produzidos com inteligência artificial.
Os protestos ocorreram em Berlim, Frankfurt e Hamburgo, convocados pelo coletivo feminista Vulver.
Segundo Fernandes, Ulmen teria criado perfis falsos em redes sociais usando sua identidade para distribuir imagens pornográficas geradas por IA — prática conhecida como deepfake.
“Durante mais de dez anos fui abusada virtualmente pelo meu próprio marido”, disse a atriz à agência de notícias AFP.
Legislação e pressão política
O episódio acelerou discussões já em andamento no Parlamento alemão. O governo preparava, antes mesmo da repercussão do caso, um projeto de lei voltado à regulamentação da divulgação de deepfakes. A mobilização popular e o eco na imprensa, porém, ampliaram a pressão por respostas mais rápidas do Legislativo.
O coletivo Vulver, responsável pela convocação de parte dos atos, denunciou o que chamou de “lacunas gritante” na proteção jurídica das mulheres na internet.
A comparação com o caso da francesa Gisèle Pelicot, que se tornou símbolo internacional da luta contra violência sexual após denunciar publicamente crimes cometidos por dezenas de homens recrutados pelo ex-marido, foi feita por parte da imprensa alemã para situar o alcance do movimento.
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