Petróleo bate 110 dólares com guerra no Irã
Enquanto os preços do petróleo sobem até 80%, Irã busca lucrar com o fechamento do Estreito de Hormuz diante de mais um recuo de Trump
O preço do petróleo atingiu 110 dólares o barril após a extensão do prazo de Trump para as negociações de paz com o Irã não surtir o efeito esperado para acalmar os mercados mundiais. Essa alta recente destaca como os conflitos no Oriente Médio podem alterar o panorama econômico mundial e pressionar a atividade econômica de todo o planeta.
O conflito com o Irã já provoca a maior interrupção na oferta de petróleo da história. O tráfego de petroleiros pelo estreito, que responde por cerca de 20% do mercado global de 100 milhões de barris diários, diminuiu significativamente, afetando cerca de 10 milhões de barris por dia.
Os preços futuros do petróleo tipo Brent subiram cerca de 80% desde a mínima, de 59 dólares em janeiro, apesar de quedas momentâneas após relatos de conversas entre Washington e Teerã. Os Estados Unidos liberaram 172 milhões de barris em uma das maiores operações de emergência da Agência Internacional de Energia.
Essa dinâmica ecoa eventos passados. Durante a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, o S&P 500 perdeu 21% no primeiro semestre após um início estável. As bolsas europeias sentiram o impacto com o índice FTSE britânico 100 caindo 1,33% o DAX alemão recuando 1,50% e o CAC 40, da França, perdendo 0,98%.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram, o que aumenta os custos de empréstimo. A administração Trump mantém cerca de 50 mil militares na região, ao mesmo tempo em que redireciona e envia reforços militares, incluindo tropas da 82ª Divisão Aerotransportada e unidades expedicionárias dos fuzileiros navais, redirecionadas de outras regiões, enquanto tenta negociar a paz com o Irã, mas o prolongamento do conflito e a possibilidade de uma incursão terrestre intensificam o risco de disrupção e inflação.
O fechamento prático do Estreito de Hormuz restringe a capacidade de exportadores como a Arábia Saudita de compensar a perda com produção adicional. A menor oferta internacional sustenta os preços altos, criando um cenário em que o Irã pode compensar parte das perdas de volume com ganhos por barril.
A liberação de reservas americanas e internacionais ajuda a aliviar parte da pressão imediata sobre os preços, mas o volume não cobre totalmente a escala da interrupção atual. Esse quadro reduz a margem de manobra de bancos centrais, que passam a lidar com o risco de inflação persistente em meio a sinais de desaceleração econômica.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)