Cuba completa dez dias de panelaços e barricadas
Ditadura enviou policiais e militares para as ruas após panelaços, barricadas e queima de lixeiras
Os cubanos completaram dez dias de protestos contra a ditadura militar na madrugada desta segunda, 16.
As manifestações decorrem dos longos apagões de eletricidade, os quais se intensificaram com os bloqueios de navios ordenados pelo presidente americano Donald Trump.
Para reclamar da situação, os cubanos incendiaram lixeiras em vários pontos. Também têm feito panelaços e construído barricadas improvisadas nas ruas.
Incêndio do Partido Comunista
O ápice das manifestações aconteceu no sábado, 14, na cidade de Morón, onde jovens incendiaram as dependências da sede do Partido Comunista local (foto).
Um vídeo publicado nas redes sociais mostra várias pessoas entrando com objetos em chamas dentro do prédio. Outras atiram pedras.
A população ao redor comemora.
"Aí! Queimem tudo isso!", grita uma mulher.
Entre as palavras de ordem estão "abaixo o comunismo" e "liberdade".
Repressão estatal
O regime deslocou policiais e militares para áreas próximas de edifícios governamentais, como tribunais.
Viaturas policiais têm patrulhado as ruas de diversas cidades.
Agentes foram enviados para montar guarda nas sedes partidárias, temendo novos ataques da população.
Censura
A sede do site 14ymedio, da jornalista Yoani Sánchez, foi cercada por agentes de segurança do Estado.
Ela foi proibida de deixar seu apartamento.
Em um vídeo divulgado por Yoani nas redes sociais, ela mostra o agente estatal que está montando guarda no térreo do seu edifício. O homem aparece com máscara e óculos escuros.
"Encontrei este cidadão, vestido de civil, que não se identificou. Ele tem a cara escondida. Parece que tem muito medo que vejam o seu rosto. Ele me diz que eu não posso sair de casa", afirma Yoani.
Dissidentes relatam que duas pessoas morreram e centenas foram detidas após confrontos com as forças do Estado.
Ao menos três dos presos seriam menores de idade.
"O povo está há muito tempo aguentando situações desumanas. Estão todos muito cansados. Então, quando o regime radicaliza a repressão, o povo desesperado também radicaliza, a ponto de incendiar uma sede do partido", diz Liodanys Ramirez, presidente da Associação Cubanos Livres, em Porto Alegre.
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