A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
Apesar do avanço, o índice ainda está abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando estava em 7%.
O resultado representa alta de 1 ponto percentual em relação ao trimestre de outubro a dezembro de 2025, quando a taxa era de 5,1%.
Ainda assim, o IBGE destaca que essa é a menor taxa para um trimestre encerrado em março desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.
Alta tem efeito sazonal
O aumento no desemprego no início do ano costuma aparecer por causa de fatores sazonais. Depois das contratações temporárias de fim de ano, parte das vagas é encerrada nos primeiros meses seguintes.
Além disso, setores como comércio, construção, educação e serviços costumam ter ajustes nesse período. Por isso, a leitura do dado exige comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, e não apenas com o fim de 2025.
Número de desempregados chegou a 6,6 milhões
O Brasil tinha 6,6 milhões de pessoas em busca de trabalho no trimestre encerrado em março. O contingente cresceu em relação ao fim de 2025, mas ficou menor que o registrado um ano antes.
A comparação anual mostra um mercado de trabalho ainda mais forte do que no início de 2025. Esse ponto ajuda a explicar por que a alta chamou atenção, mas não alterou a tendência mais ampla de melhora frente ao ano anterior.
Rendimento segue em patamar elevado
A Pnad Contínua também acompanha renda, ocupação e subutilização. No trimestre encerrado em fevereiro, o rendimento real habitual já havia chegado a R$3.679, com alta frente ao mesmo período de 2025.
Esse dado importa porque o mercado de trabalho não se resume à taxa de desocupação. Renda, informalidade, população ocupada e subutilização ajudam a mostrar se a melhora chega de fato ao bolso do trabalhador.
Como interpretar o resultado
A taxa de 6,1% indica que o desemprego cresceu no começo de 2026. No entanto, a comparação anual ainda mostra um quadro melhor que o de março de 2025.
Portanto, o dado traz um alerta pontual, mas não aponta, sozinho, uma virada negativa no mercado de trabalho. A próxima divulgação do IBGE deve mostrar se a alta foi apenas sazonal ou se a desaceleração ganhou força.




