O Equador deu início à extração de petróleo na floresta amazônica por meio do fraturamento hidráulico, técnica conhecida como “fracking“. A Petroecuador, petrolífera estatal do país, confirmou o início das operações nesta quarta-feira (29), na província de Sucumbíos, no nordeste do país, na fronteira com a Colômbia.
Com isso, o Equador passou a integrar um grupo restrito de países da América Latina que utilizam o método, ao lado da Argentina e do México.
O que é o fracking e por que é problemático?
O fraturamento hidráulico consiste em injetar grandes volumes de fluidos, principalmente água, sob altíssima pressão diretamente em rochas de xisto. Esse processo fratura a rocha e libera o petróleo ou o gás natural retido em seu interior.
O problema está nos produtos químicos misturados a esses fluidos. Essas substâncias são altamente poluentes e representam um risco direto para o solo, os lençóis freáticos e os ecossistemas ao redor. Por isso, ambientalistas e organizações internacionais rejeitam o uso da técnica, especialmente em regiões sensíveis como a floresta amazônica.
O projeto no Equador é realizado em parceria com uma filial da empresa estatal de petróleo chinesa China National Petroleum Corporation (CNPC).
O país ignora a cúpula climática
Cerca de 50 países se reuniram em Santa Marta, na Colômbia, para uma cúpula histórica com foco na redução do uso de combustíveis fósseis. Quito não participou do encontro. Grandes produtores como Estados Unidos, China e Rússia também ficaram de fora.
Vale lembrar que a produção de petróleo equatoriana caiu para 441 mil barris por dia em 2025, por conta de falta de investimentos. Do total produzido, 74% foi destinado à exportação. A adoção do fracking surge, portanto, como uma tentativa de reverter essa queda e aumentar a produção.
Organizações ambientais alertam que a chegada do fracking à Amazônia equatoriana representa um retrocesso grave. A região já convive com os impactos de décadas de exploração convencional de petróleo e a introdução de uma técnica tão agressiva amplia os riscos para a biodiversidade e para as comunidades indígenas que vivem no entorno.





