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    Um manual em defesa dos isentões

    Livro "Nem comunista, nem fascista", do jornalista Diogo Schelp, afirma que os moderados são corajosos e cultivam seus próprios princípios

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    Duda Teixeira
    3 minutos de leitura 20.02.2026 13:10 comentários 0
    Nem comunista, nem fascista, de Diogo Schelp/Divulgação
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    Não importa o país: os moderados são os que mais têm sofrido ataques, tanto à esquerda quanto à direita.

    A explicação para isso é simples.

    "O que vivemos neste início do século 21 não é um choque de civilizações (...). É um choque entre os fanáticos e o resto de nós. E há fanáticos de todos os tipos e inclinações políticas e religiosas", disse o escritor israelense Amós Oz.

    A frase está logo na introdução do livro Nem comunista, nem fascista (Edições 70), recém-lançado pelo jornalista Diogo Schlep.

    Ao concordar com Amós Oz, ele escreve: "É exatamente isso que os radicais querem: eliminar o espaço que existe entre eles e o inimigo, o espaço para a dúvida, a ponderação e a avaliação racional de ideias".

    "A disputa que importa não é aquela que ocorre entre extremistas de campos opostos, mas entre esses e os moderados", escreve o autor.

    Sua obra é praticamente um manual em defesa dos moderados, às vezes chamados de "isentões".

    Corajosos e com princípios

    Schelp contesta a ideia de que os isentões são covardes sem princípios.

    Muito pelo contrário. Segundo ele, os moderados demonstram coragem ao se posicionar, mesmo em ambientes polarizados, e têm seus próprios valores, ainda que não defendam uma ideologia fechada.

    Para defender seu ponto, Schelp faz uma paciente e detalhada revisão dos pensadores que defenderam a moderação ao longo dos séculos, passando por Aristóteles ("um obcecado com a ideia de moderação política"), Nicolau Maquiavel, Montaigne, John Locke, Montesquieu, Edmund Burke, Tocqueville, Hannah Arendt, Raymond Aron, Isaiah Berlin, Norberto Bobbio, Ortega y Gasset e até o desconhecido cientista político romeno Aurelian Craiutu.

    Professor da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, Craiutu retoma os ensinamentos de Raymond Aron para fazer uma lista daqueles que seriam os fundamentos da moderação. É uma das melhores partes do livro.

    O primeiro fundamento é pensar politicamente, e não ideologicamente. Ou seja, "diante da necessidade de tomar decisões para a sociedade, deve-se ter como ponto de partida entender como as coisas são, e não como deveriam ser".

    Outros valores moderados são a defesa do pluralismo e a rejeição de todas as formas de determinismo histórico, quer seja, a ideia de que a história caminha para um fim determinado.

    Explica Schelp: "Um moderado deve ter a humildade de reconhecer que não sabe como a história vai evoluir e aonde ela vai nos levar, como fazem os adeptos de certas ideologias".

    O quarto fundamento é a aceitação da própria falibilidade. Especialmente para os políticos, é preciso entender que o erro é sempre uma possibilidade. "Isso contribui para que as escolhas sejam feitas com cautela e racionalidade, com a devida análise dos fatos e do contexto."

    Dicas

    O livro segue com dicas e sugestões para aqueles que se consideram moderados e precisam lidar com radicais de ambos os lados.

    Claro, não basta se considerar moderado para ser um deles. Pessoas extremistas nunca admitem aquilo que realmente são e dizem que são moderadas.

    Nesse sentido, o livro Nem comunista, nem fascista, além de permitir uma autoanálise por parte dos leitores, pode contribuir para um mundo em que as discussões sejam menos emocionais e mais ponderadas.

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