A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta semana o registro do medicamento Columvi (glofitamabe), uma nova terapia que promete transformar o tratamento do Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB), um tipo de câncer conhecido por ser altamente perigoso.
Desenvolvido pelo laboratório Roche, o medicamento demonstrou reduzir em 41% o risco de morte e induzir remissão completa em mais da metade dos pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.
O que é a doença?
O LDGCB é o tipo mais comum de linfoma, que é um tipo de câncer que afeta as defesas do corpo. A doença é considerada especialmente agressiva se comparada a outros tipos de câncer.
De acordo com médicos, a doença cresce depressa e precisa de tratamento rápido. Além disso, em muitos pacientes, a doença volta ou não melhora com os remédios comuns, e esses pacientes muitas vezes não podem fazer transplante de medula.
Como o remédio funciona?
O glofitamabe pertence a uma classe de imunoterápicos conhecidos como “anticorpos biespecíficos“. Diferente das terapias tradicionais, este medicamento atua como uma “ponte” molecular: uma de suas extremidades se liga às células cancerígenas, enquanto a outra se conecta às células de defesa.
Essa conexão física força o sistema imunológico a reconhecer e destruir o câncer, contornando os mecanismos de evasão do tumor.
Em resumo, o medicamento age como uma espécie de “ímã” que tenta aproximar as células de defesa do corpo dos organismos cancerígenos e “mostrar” onde ele deve atacar para curar o câncer.
Quem isso deve beneficiar?
O registro beneficia especificamente adultos com LDGCB recidivado (quando o câncer retorna) ou refratário (quando não responde à terapia inicial) que não possuem condições clínicas para realizar o transplante de células-tronco.
Especialistas estimam que cerca de 4 mil brasileiros sejam diagnosticados com essa condição anualmente, e até 40% deles evoluem para formas refratárias em que as opções atuais são limitadas.
Embora o registro autorize a comercialização imediata no setor privado, a incorporação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda depende de avaliação técnica pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).







