Crusoé n° 405: O fator Kassab
PSD mantém acesa a chama da terceira via entre bolsonarismo e lulismo. E mais: Direita reanimada e Exemplo chileno
Gilberto Kassab viveu durante muito tempo sob o estigma de não se posicionar, por ter criado um partido que prometia não ser de direita, de esquerda e nem mesmo de centro. As piadas sobre o assunto foram perdendo a graça à medida que o PSD crescia para se tornar a legenda com mais governadores e prefeitos do Brasil.
Ex-prefeito de São Paulo, o presidente nacional do PSD se consolidou na eleição municipal de 2024 como o grande articulador político do país, com a conquista de 887 prefeituras, mais do que as 517 do PL de Jair Bolsonaro e as 252 do PT de Lula.
De lá para cá, o partido, que já governava Paraná e Sergipe, atraiu mais três governadores, o último deles nesta semana.
Ronaldo Caiado, de Goiás, se uniu a Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, nos esforços para o que Kassab chamou de “um projeto para o futuro do nosso País”.
Esse projeto se encontra hoje entre o bolsonarismo, representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o lulismo, no que se convencionou chamar nos últimos anos de terceira via. Após reclamar durante anos do fisiologismo da política brasileira, parte do país se cansou dos rompantes ideológicos apaixonados e clama, hoje, por algum pragmatismo que permita ao país avançar de forma prática em pautas como educação, economia e segurança pública.
E ninguém soa mais pragmático atualmente do que Kassab na política brasileira, dizem Rodolfo Borges e Wilson Lima em "O fator Kassab", a reportagem de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Em "Direita reanimada", Guilherme Resck mostra que a caminhada de 240 quilômetros de Nikolas Ferreira (PL-MG) até Brasília não alterou situação de Jair Bolsonaro (PL), mas deu novo ânimo a um campo político abatido desde a prisão do ex-presidente.
Na matéria "Exemplo chileno", João Pedro Farah conta que a Suprema Corte do Chile perdeu três de seus juízes em processos de impeachment nos últimos 14 meses. Ángela Vivanco foi presa no domingo, 25, acusada de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
Colunistas
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Nesta edição, escrevem Wilson Pedroso (Quem joga no tempo longo), Márcio Coimbra (Domínio mineral chinês), Clarita Maia (A esquerda latina se aproxima da ditadura argentina), Roberto Ellery (Juros altos: a prudência ainda é o melhor remédio), Letícia Barros (Airbnb na mira da reforma tributária), Dennys Xavier (Vale a pena se ocupar com a política?), Josias Teófilo (Acabou a paciência) e Rodolfo Borges (Banquete do Mengão).
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