Sete das dez cidades brasileiras que mais esquentaram nas últimas duas décadas estão todas no Vale do Taquari, localizado no estado do Rio Grande do Sul (RS). A informação vem de um levantamento realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
No ranking nacional, as sete cidades são: Colinas, Imigrante, Westfália, Teutônia, Arroio do Meio, Estrela e Roca Sales. A que registrou maior aquecimento entre elas foi Colinas, que ficou em segundo lugar no ranking nacional, ficando atrás apenas de Macaé, no Rio de Janeiro.
De acordo com o levantamento, essas cidades aqueceram uma média de 5°C nos últimos 20 anos, com aumentos registrados de até 5,3°C.
Confira o top 10:
- Macaé/RJ
- Colinas/RS
- Imigrante/RS
- Arambaré/RS
- Westfália/RS
- Teutônia/RS
- Arroio do Meio/RS
- Estrela/RS
- Roca Sales/RS
- Rio das Ostras/RJ
O meteorologista Daniel Caetano Santos, da UFSM, aponta que esse aquecimento é influenciado por fatores como alteração climática, expansão urbana, redução de áreas vegetadas. Além disso, ele ainda alerta que os estudos apontam um momento de escalada, aumentando o risco de tempestades intensas, maiores ondas de calor e até afetar a agricultura nessas cidades.
Impactos nas cidades
A região do Vale do Taquari é reconhecida como uma área fortemente agrícola, com a atuação de 43 mil produtores rurais, e o aquecimento da região pode impactar negativamente na agricultura dessas cidades.
Carlos Lagemann, gerente regional adjunto Emater/RS-Ascar, relatou que o aquecimento pode causar quedas em potencial em algumas safras, como as de milho e soja, além de dificultar a criação de animais para a pecuária.
“O calor faz com que as plantas gastem energia com mecanismos de proteção contra perda excessiva de água. Também temos bacia leiteira, com base na produção em raças europeias que encontram conforto nas estações frias e sofrem estresse com altas temperaturas”, relatou o gerente.
Lagemann destacou ainda que nos últimos anos um dos principais objetivos visados pelos produtores não é apenas a produção, mas também a sobrevivência agropecuária, que não é apenas dificultada pelo calor, mas também foi duramente atingida pelas enchentes de 2023 e 2024. Uma das soluções apontadas pelo gerente é a implantação de programas do Estado visando apoiar a produção agrícola.





