Cidadãos do México já estão vendo o que pode se tornar uma crise de segurança no país todo após uma operação do exército mexicano resultar na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, notório criminoso que era chefe do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG). A morte do chefão do crime causou uma onda de violência que começou assolando a cidade de Guadalajara e causou a morte de pelo menos 62 pessoas.
Segundo informações da imprensa local, os ataques começaram em fevereiro deste ano, com moradores relatando conflitos armados entre policiais e gangues, com sons de tiro e colunas de fumaça causadas por incêndios se tornando comuns na cidade. Autoridades da Segurança Pública do país afirmam que esse crescimento na violência é uma “demonstração de força” dos membros do CJNG no estado mexicano de Jalisco, onde se encontra o município de Guadalajara. O caso foi grave a ponto de que não apenas a polícia, mas as forças armadas também foram acionadas para patrulhar a cidade.
Explicação
Especialistas apontam que a escalada na violência não se trata de vingança pela morte de El Mencho, mas sim uma disputa que está sendo travada entre os criminosos para decidir quem vai comandar o CJNG e tudo o que seu falecido líder controlava. Alguns dos especialistas destacam que esse modo de operação chega a ser roteirizado: um líder do narcotráfico morre, alguns de seus homens saem nas ruas para fazer “demonstrações de força” e logo depois é iniciada uma disputa pela sucessão do antigo líder.
A consultora de análise de risco, Marina Pera, desenhou um possível cenário das ações do cartel no curto, médio e longo prazo. No curto prazo, a consultora disse que o maior risco é a retaliação contra as forças de segurança do país. No médio, quem continuou “de pé” após as retaliações deve tentar se tornar líder em nível nacional do cartel. Já no longo prazo, deve haver novas tensões e rivalidades nas dinâmicas entre os grupos criminosos no país com a nova liderança no cartel, citando até uma rivalidade entre o CJNG e o Cartel de Sinaloa, criando um cenário com novos conflitos entre os grupos criminosos.
El Mencho e o CJNG
Oseguera Cervantes tinha a fama de ser um chefão criminoso particularmente brutal, sendo considerado o líder de cartel mais poderoso do México desde a prisão de El Chapo. O governo dos EUA oferecia US$ 15 milhões e o governo mexicano 300 milhões de pesos por sua prisão.
Já o Cártel Jalisco Nueva Generación, fundado por Oseguera e outros traficantes após a prisão do líder do cártel Milênio, onde eles atuavam até o ano de 2009, também era considerado como um dos grupos criminosos mais violentos do país. Entre 2018 e 2020, o CJNG registrou mais atos de violência relacionados a gangues do que qualquer outro cartel. Um ex-comissário de segurança do México o descreveu como a ameaça mais urgente à segurança nacional e em fevereiro de 2025, o Departamento de Estado dos EUA designou formalmente o CJNG como organização terrorista estrangeira, durante o segundo governo Trump.
O CJNG é um dos fornecedores centrais de fentanil para os EUA e suas atividades criminosas geram bilhões de dólares por ano, alcançando mais de 40 países.





