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Uma das mulheres mais poderosas da Ásia foi derrubada por estudantes

As impressionantes cenas vindas de Bangladesh nesta segunda-feira, 5, mostram o repentino fim político de uma das mulheres mais poderosas da Ásia —  o da primeira-ministra do país, Sheikh Hasina (foto). No poder por 20 dos últimos 28 anos da história do país (que tem 53), Hasina controlava a nação com uma maioria confortável do...

Crusoé
3 minutos de leitura 05.08.2024 10:12 comentários 1
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As impressionantes cenas vindas de Bangladesh nesta segunda-feira, 5, mostram o repentino fim político de uma das mulheres mais poderosas da Ásia —  o da primeira-ministra do país, Sheikh Hasina (foto). No poder por 20 dos últimos 28 anos da história do país (que tem 53), Hasina controlava a nação com uma maioria confortável do parlamento e sem uma oposição, que a considerava autoritária.

Mas 26 dias de protestos violentos liderados por estudantes levaram à sua queda. Ela foi vista em uma base aérea fugindo do país (possivelmente para Agartala, na Índia), enquanto jovens invadiram a residência oficial para tirar fotos em sua cama e saquear o local.

O estopim da manifestação é uma proposta do governo bengali para garantir cotas de 30% das vagas no serviço público a jovens que descendam de envolvidos na guerra de independência de Bangladesh, que se separou do Paquistão em 1971.

Em junho, a Suprema Corte deu sinal verde para a proposta, o que levou estudantes pacificamente às ruas. A medida foi vista como uma tentativa de Sheikh de beneficiar sua base eleitoral, mas acabou degringolando para um teste de autoridade contra seu próprio legado quando, em 10 de julho, as manifestações se tornaram violentas.

No final do mês passado, Sheikh Hasina ainda mantinha as rédeas do controle do país (seu partido domina quase 80% das cadeiras do parlamento, após eleições boicotadas pela oposição) e não indicava que abriria mão do plano de cotas. Apesar disso, precisou cancelar uma visita oficial que faria ao Rio de Janeiro, onde se encontraria com Lula para uma agenda do G20. 

O ato que selou o fim do seu governo foi um massacre durante o final de semana, quando a resposta das forças militares levaram a morte de mais de 100 pessoas — incluindo 13 policiais. O país, que tem 170 milhões de habitantes (85% da população brasileira) espremidos em uma área pouco menor que o estado do Ceará, experimenta agora as piores manifestações desde a guerra independência do Paquistão, em 1971.

Ao fim, não adiantou a decisão de bloquear a internet no país (já desfeita). Sem força política para manter-se no poder, Hasina deixou o país de helicóptero, enquanto militares indicaram que um novo governo de transição sob suas ordens está instalado no país.

Pelas redes sociais, a oposição do país comemorou a queda da governante. "A renúncia de Hasina prova o poder do povo e será um exemplo para futuras gerações, mostrando como a coragem do povo pode sobrepor atrocidades", escreveu Tarique Rahman, o líder do principal partido de oposição a boicotar a última eleição.

Ele prometeu reconstruir Bangladesh como uma nação democrática após a queda de Hasina. O país, no entanto, tem como vizinhos próximos Mianmar e Tailândia, países com longa história de governos militares e interferência destes em seus parlamentos — além da Índia, que vê o poder se solidificar na mão de Narendra Modi. O pequeno país, agora, se vê com o desafio de ser o diferente da região.

Leia mais em Crusoé: Uma “primavera africana” pode estar no forno

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Comentários (1)

Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-08-05 16:00:57

Uma queda bizarra para quem tinha tanto apoio. Boa sorte para o povo do Bangladesh


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