Parece um gesto educado, quase automático: tampar o nariz e a boca para conter um espirro em público. O problema é que, segundo especialistas, essa prática considerada inofensiva pode causar desde dores de ouvido até complicações bem mais sérias, como ruptura do tímpano e, em casos raros, até AVC.
De acordo com o otorrinolaringologista Vinicios Ribas Fonseca, ele é um mecanismo de defesa que serve para eliminar substâncias estranhas das vias respiratórias, como poeira, pólen, ácaros, vírus, bactérias e fumaça. Antes de espirrar, a pessoa faz uma inspiração profunda e o ar fica retido nos pulmões, com a glote e as cordas vocais fechadas. Em seguida, os músculos do abdômen e os intercostais expelem esse ar com força, numa velocidade que pode chegar a 160 km/h.
Ao bloquear esse processo, toda essa pressão não tem para onde ir, e é aí que o risco começa.
O que acontece quando você prende
Segundo Ullyanov Toscano, cirurgião de cabeça e pescoço, ao segurar o espirro, toda a pressão que deveria ser liberada é internalizada pelo corpo, podendo causar dores de cabeça, lesão do tímpano, no nervo óptico e na retina. Em casos mais graves, pode causar hemorragia ocular, ruptura de vasos sanguíneos e até AVC, além de poder até fraturar uma costela devido à pressão acumulada nos pulmões.
A pressão gerada ao segurar um espirro pode ser até 24 vezes maior do que o próprio espirro. Entre os danos mais documentados estão: rompimento do tímpano, infecção do ouvido médio, ruptura de vasos sanguíneos nos olhos, lesão no diafragma e, em casos raros, ruptura de aneurisma cerebral.
O caminho mais comum que esse ar represado percorre é pela tuba auditiva, um canal que conecta o nariz ao ouvido e serve para equalizar a pressão na orelha média. Quando o ar vai para lá de forma brusca e intensa, o risco de lesão aumenta significativamente.
Pessoas com condições vasculares pré-existentes, como aneurismas cerebrais ou vasos sanguíneos fragilizados, são as que correm maior risco com essa prática.
Prevenção: o que fazer ao invés de segurar
A enfermeira e coordenadora dos cursos de Enfermagem e Gestão Hospitalar da UNINASSAU Digital, Adrian Araújo, aponta que o hábito de segurar o espirro é bastante comum em locais públicos ou fechados, motivado principalmente pela preocupação com a etiqueta. A orientação dela, no entanto, é que o espirro não seja contido. Caso a preocupação seja com a higiene, a forma mais segura é cobrir o nariz e a boca com um lenço descartável ou com o antebraço.
Espirrar na mão também é uma forma viável, mas menos indicada, pois os germes podem se espalhar para superfícies e outras pessoas. Um único espirro pode lançar cerca de 100 mil germes no ambiente.
Além de cobrir o nariz e a boca com um lenço ou o antebraço, é importante lavar as mãos ou usar álcool em gel após o espirro.
Se mesmo com todos esses cuidados o incômodo for recorrente, pode ser sinal de rinite alérgica, infecção viral ou outra condição que mereça avaliação médica.





