O estado de Colorado, nos Estados Unidos, confirmou nesta semana a primeira morte por hantavírus desde 2024. A informação foi divulgada pelo Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente local, que já iniciou as investigações sobre o caso.
As autoridades informaram que as evidências preliminares apontam para o contato com roedores na região como provável origem da infecção. A porta-voz Hope Shuler afirmou que o risco para a população em geral permanece baixo e que a investigação ainda está em andamento.
O caso ocorre em meio ao aumento da atenção global ao vírus, decorrente de um surto recente a bordo do cruzeiro holandês MV Hondius. Porém, os investigadores deixaram claro que a morte registrada no Colorado não tem relação com o episódio do navio.
O cruzeiro e o surto que acendeu o alerta global
O navio MV Hondius, que partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, transportando 150 pessoas de 23 países, registrou um surto de doenças respiratórias durante a viagem. O caso foi comunicado à Organização Mundial da Saúde (OMS) no início de maio, com oito infecções confirmadas, três delas fatais.
Nesta segunda-feira (18), o navio atracou no porto de Roterdã, na Holanda, onde os 25 membros restantes da tripulação e dois profissionais de saúde desembarcaram.
O episódio gerou preocupação nas redes sociais, com internautas comparando o hantavírus ao coronavírus e temendo uma nova pandemia. No entanto, a OMS descartou a comparação. A epidemiologista Maria van Kerkhove disse que o vírus se espalha de forma muito diferente e que não se trata de covid nem de gripe.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também se manifestou, afirmando que não há sinais de um surto maior ligado aos casos do cruzeiro.
O que é o hantavírus e por que ele preocupa
O hantavírus não é novidade para o Colorado. O estado acumula 121 casos registrados, incluindo 45 mortes, e figura entre os que mais registraram infecções humanas nos Estados Unidos entre 1993 e 2023.
Trata-se de um “vírus zoonótico”, ou seja, que circula naturalmente entre roedores e, ocasionalmente, chega aos humanos. A transmissão ocorre principalmente por contato com animais infectados ou com seus dejetos, e não há tratamento específico que cure a doença.
Os primeiros sintomas costumam aparecer entre uma e oito semanas após a exposição e incluem febre, dores de cabeça, dores musculares e manifestações gastrointestinais como náuseas, vômitos e dor abdominal. Em casos graves, o vírus pode afetar o sistema respiratório, o coração e os rins.
O atendimento médico precoce, mesmo sem cura específica, é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência. O foco do tratamento está no monitoramento clínico e no controle das complicações.




