O rebanho bovino dos EUA caiu para 86,2 milhões de cabeças em janeiro de 2026, o menor nível em 75 anos, segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA).
Agora, uma praga erradicada do país desde 1966 reapareceu no Texas e ameaça pressionar ainda mais a oferta de carne. Para o Brasil, o cenário representa uma oportunidade concreta de ampliar as exportações para o mercado americano.
A praga é a bicheira-do-novo-mundo, causada pela mosca Cochliomyia hominivorax. A fêmea deposita ovos em feridas abertas de animais de sangue quente, e as larvas atacam tecido vivo, podendo matar um bovino em poucos dias sem tratamento.
O primeiro caso foi confirmado pelo USDA em 3 de junho, num bezerro de três semanas no condado de Zavala, no Texas.
A praga não é novidade para o pecuarista brasileiro, a bicheira é endêmica no Brasil e os produtores já sabem como tratá-la. Nos Estados Unidos, porém, o setor não tem esse histórico, o que torna a infestação mais perigosa.
O prejuízo potencial para a economia do Texas pode chegar a US$ 1,8 bilhão, segundo estimativas baseadas no impacto histórico da praga.

Por que isso beneficia o Brasil
Para conter a disseminação, os EUA suspenderam a entrada de gado vivo do México, principal fornecedor de animais jovens para os confinamentos americanos. Sem esse gado, a oferta para abate ficou ainda mais restrita, e os preços subiram quase 15% em 12 meses nos supermercados americanos.
Nesse cenário, a demanda por importações de carne processada cresce. O USDA projeta que os EUA importarão cerca de 2,77 milhões de toneladas de carne bovina em 2026.
Geraldo Isoldi, analista da Terra Investimentos, estima que o Brasil deve exportar cerca de 318 mil toneladas ao mercado americano neste ano, contra 229,5 mil toneladas em 2025, crescimento de quase 40%.
O Brasil está preparado para atender
Em 2025, o Brasil ultrapassou os EUA e se tornou o maior produtor de carne bovina do mundo, com 12,3 milhões de toneladas contra 11,8 milhões dos americanos, segundo o USDA. O país tem escala, competitividade de preço e certificações internacionais para atender à demanda americana.
Os EUA permitem a entrada de até 65 mil toneladas de carne brasileira com tarifa reduzida, então a cota da importação é um obstáculo no caminho.
Acima disso, a alíquota sobe cerca de 30%. O governo Trump chegou a anunciar o fim desse sistema de cotas em 2026, mas recuou após reação dos pecuaristas americanos.
A situação sanitária nos EUA deve ser monitorada ao longo do segundo semestre, quando o USDA deve definir novas ações contra a praga no Texas.




