Os Correios precisam de mais de R$ 8 bilhões para fechar o Plano de Reestruturação apresentado ao governo federal, mas o dinheiro não deve chegar tão cedo. Segundo fontes da equipe econômica ouvidas pela imprensa, a operação só é esperada para 2027, embora a autorização possa ser concedida ainda neste ano.
Agora a prioridade é cumprir as exigências do Tribunal de Contas da União e organizar a modelagem financeira da operação com o Tesouro Nacional.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) já autorizou em fevereiro um sublimite para um novo empréstimo de R$ 8 bilhões aos Correios, com garantia da União. Mas autorizar o limite é diferente de liberar o dinheiro. O Tesouro ainda precisa estruturar os ajustes solicitados para dar segurança jurídica e fiscal à operação.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou à imprensa que a estatal já conversa com bancos e que o mercado está mais receptivo do que em 2025. “Já estamos conversando com os bancos. Hoje sentimos uma receptividade maior do que no ano passado”, disse.
O tamanho do problema financeiro
Em 2025, o rombo nas contas dos Correios chegou a R$ 8,5 bilhões. Para 2026, o governo projeta um déficit ainda maior, de R$ 9,1 bilhões. O balanço fechado de 2025 ainda não tem data de divulgação.
No fim do ano passado, os Correios já haviam contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União, o primeiro de um plano de capitalização de R$ 20 bilhões. Os R$ 8 bilhões em negociação completariam esse pacote.
Uma proposta anterior de R$ 20 bilhões em uma única operação foi rejeitada porque a taxa de juros cobrada pelos bancos estava em 20% ao ano, acima do teto de 18% aceito pelo CMN.
Aporte ou empréstimo?
Ainda está em análise se os R$ 8 bilhões seriam liberados como empréstimo garantido pelo Tesouro ou como aporte direto de capital da União na empresa. As duas alternativas têm impactos diferentes nas contas públicas. A decisão final deve sair até o fim do primeiro semestre de 2026.
A deterioração financeira dos Correios reflete desafios estruturais: queda no volume de correspondências tradicionais, aumento da concorrência no setor de encomendas e pressões operacionais acumuladas nos últimos anos.




