Os mercados de previsão, ou prediction markets, são plataformas onde qualquer pessoa pode apostar dinheiro no resultado de eventos reais, como eleições, decisões de juros, inflação e resultados esportivos. Em 2025, essas plataformas movimentaram mais de US$ 44 bilhões ao redor do mundo.
O funcionamento é assim: o usuário paga um valor para comprar um contrato que vale US$ 1 se o evento acontecer.
O preço flutua conforme a probabilidade percebida pelo conjunto de participantes. Se muita gente acha que o Fed vai cortar os juros, o contrato sobe, sinalizando essa expectativa coletiva ao mercado.
A maior plataforma do mundo, a Polymarket, já tem contratos sobre a eleição presidencial brasileira de 2026. A Kalshi, regulamentada nos EUA pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), opera contratos sobre inflação, desemprego e decisões de bancos centrais.
Economistas estão frustrados
O problema é que essas plataformas, em vários momentos, produziram previsões mais precisas do que modelos econométricos tradicionais. Os preços dos contratos passaram a ser citados por políticos e traders como referência, criando um loop: a aposta move expectativas, as expectativas movem mercados, e os mercados confirmam a aposta.
Outro problema é a manipulação, como qualquer mercado com baixa liquidez, o prediction market pode ser influenciado por agentes com posições grandes, distorcendo o sinal que deveria emitir.
O Brasil tenta regular
Em abril de 2026, o CMN proibiu contratos derivativos vinculados a eventos esportivos, políticos, eleitorais, sociais e culturais. A B3 recebeu autorização da CVM para listar contratos ligados ao Ibovespa, ao dólar e ao bitcoin, restritos a investidores profissionais com patrimônio acima de R$ 10 milhões.
O governo federal bloqueou 27 plataformas de mercado preditivo sem licença em abril. Em março, o BTG Pactual lançou o BTG Trends, voltado a indicadores macroeconômicos. A XP firmou parceria com a Kalshi para oferecer contratos a clientes internacionais.
A tensão entre a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e a CVM sobre quem fiscaliza essas plataformas ainda não está resolvida. A definição depende de como cada contrato é estruturado juridicamente: se funcionar como derivativo, vai para a CVM; se funcionar como aposta, vai para a SPA.




