Variedades - Crusoé
  • Política de Privacidade
  • Termos de uso
  • Contato
  • Política de Privacidade
  • Termos de uso
  • Contato
Sem resultados
Ver todos os resultados
Variedades - Crusoé
Sem resultados
Ver todos os resultados

Sócrates, filósofo: “O amigo deve ser como o dinheiro; antes de precisar dele, é necessário saber o seu valor”

O filósofo era conhecido por tratar as relações de amizade como algo muito profundo

Por Júlio Nesi
09/04/2026
Em Geral
0
O quadro "A Morte de Sócrates", por Jacques-Louis David

Reprodução: Flickr / Evil Preacher

O quadro "A Morte de Sócrates", por Jacques-Louis David Reprodução: Flickr / Evil Preacher

Sócrates, pensador grego que viveu por volta de 470 a.C., era conhecido por ser um dos primeiros filósofos a arar a terra da filosofia moderna; ele estudou exaustivamente relações humanas, ética e justiça. Um dos pontos mais conhecidos do pensador era sua visão sobre as relações de amizade em questão de virtude e utilidade.

A frase “O amigo deve ser como o dinheiro; antes de precisar dele, é necessário saber o seu valor” não é atribuída ao filósofo à toa . Para Sócrates, a amizade ia muito além de um “passatempo” e era sim um dos bens mais preciosos que alguém poderia ter.

Qual é a lógica por trás da metáfora?

Com a frase, Sócrates aponta a natureza da relação de amizade, diferenciando uma relação transacional de uma relação recíproca.  Uma transação é uma pessoa receber algo em troca de outra coisa de igual valor. Nessa relação, existe a pressão pelo “pagamento”.

Já na recíproca também há troca, no entanto, não há a pressão e expectativa de pagamento como na transacional. Ambas as pessoas oferecem tempo, bens materiais, alimento e até dinheiro; a troca pode não ser 100% igual, mas ambos participam, não por haver uma regra obrigando, mas porque ambos desejam o bem do outro.

Considerando isso, Sócrates então relaciona o amigo ao dinheiro. Ele defendia que devemos escolher amigos com o mesmo critério e cuidado que usamos para cuidar do nosso patrimônio, avaliando a “moeda” (o caráter) antes de precisar “gastá-la” (pedir ajuda).

Na prática, e diferentemente da romantização da amizade, o filósofo via a amizade como algo que precisa ser cultivado e testado pela razão. Afinal, assim como você não espera ficar pobre para entender que o dinheiro é importante, você não deve esperar uma crise para valorizar um amigo.

Na saúde e na doença

O filósofo ainda destaca que uma amizade não está presente apenas em momentos de urgência, mas também nos períodos menos turbulentos da vida.

Muitas amizades podem ser “improvizadas” ou imprevistas, causadas pela ocasião, mas toda amizade é cultivada. Isso significa convivência e observação, vendo a lealdade, a presença e o caráter dos amigos ao longo da vida. Assim, podemos avaliar quem confiamos para estar ao nosso lado em momentos em que o apoio humano é mais necessário.

Era líquida

Vale ressaltar que a era de Sócrates é muito diferente dos tempos modernos. O sociólogo Zygmunt Bauman, por exemplo, destaca que a relação moderna de amizade é frágil, efêmera e superficial, destacando o papel das redes sociais que facilitaram tanto a conexão quanto a desconexão de pessoas.

Para o sociólogo, a maior parte das conexões atuais são simplesmente passageiras, com pessoas preferindo se “conectar” a realmente se relacionar com outros, com contatos passivos como comentários e curtidas gerando a ilusão de relacionamento. Isso causa o efeito de “Solidão na multidão”, que é ter diversos “amigos” nas redes sociais, mas nenhuma companhia fora das telas.

Bauman sempre reforçou que uma amizade “real” precisa de conexão além das telas. O abraço, o olhar, o tempo de qualidade compartilhado e a convivência durante momentos difíceis seriam vitais para as amizades.

Então como avaliar?

Apesar da visão pessimista do sociólogo, a metáfora de Sócrates pode ser usada justamente como um “guia”. Pessoas podem usá-lo não apenas para se guiar em como ser um amigo “real”, mas também para avaliar que amigos são “reais” e quais são os “líquidos”.

No caso, você pode avaliar os amigos que estão presentes no dia a dia. No caso, avaliar quem só aparece quando precisa de algo e desaparece quando você em si precisa de ajuda, ver quem fica além dos momentos de urgência.

Além disso, a metáfora também convida à reflexão sobre si mesmo. Você está presente na vida de quem considera amigo? É honesto? Ou só fala com seus entes queridos quando está passando por problemas?

A frase do filósofo grego tem milênios de idade, mas até hoje continua evocando questionamentos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
LogoCaro leitor,

O acesso ao conteúdo será liberado imediatamente após o anúncio.

Tags: amizadefilosofiamodernidade líquidaRelações humanassociologiaSócratesZygmunt Bauman
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

Próximo post
Reprodução: Unsplash / Zoshua Colah

O truque de 10 segundos para saber se o seu azeite é de alta qualidade ou uma imitação

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Confira!

Foto:
Bruno Peres/Agência Brasil

Pix vai ajudar brasileiros no adiantamento da restituição do Imposto de Renda

20/05/2026
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Cuidados essenciais para quem vai acompanhar a Copa do Mundo nos Estados Unidos

20/05/2026
Foto: Reprodução/Instagram (@anitta)

Cantora brasileira faz lançamento mundial e está confirmada em show de abertura da Copa

20/05/2026
  • Política de Privacidade
  • Termos de uso
  • Contato

Agradecemos por escolher a “CRUSOÉ”, revista eletrônica de conteúdos jornalísticos de titularidade da “Mare Clausum Publicações Ltda.”, sociedade empresária limitada, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Av. Brigadeiro Faria Lima, 1234 - Jd. Paulistano - São Paulo - SP - CEP 01451-001, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 25.163.879/0001-13 e com IE/SEFAZ nº 118.877.810.111.

Bem-vindo de volta!

Faça login abaixo

Esqueceu a senha?

Recupere sua senha

Insira seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Log In

Adicionar nova Playlist

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Política de Privacidade
  • Termos de uso
  • Contato

Agradecemos por escolher a “CRUSOÉ”, revista eletrônica de conteúdos jornalísticos de titularidade da “Mare Clausum Publicações Ltda.”, sociedade empresária limitada, com sede na Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Av. Brigadeiro Faria Lima, 1234 - Jd. Paulistano - São Paulo - SP - CEP 01451-001, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 25.163.879/0001-13 e com IE/SEFAZ nº 118.877.810.111.