Arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México anunciaram a descoberta de uma escultura de serpente de pedra no que foi a antiga capital do Império Asteca, Tenochtitlán, localizada onde hoje está o centro histórico da Cidade do México.
O artefato, com cerca de 500 anos, foi encontrado a 4,5 metros de profundidade durante escavações no terreno da antiga Escola de Jurisprudência da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), um local riquíssimo em artefatos pré-hispânicos.
Uma peça extraordinária
A escultura mede aproximadamente 1,8 metro de comprimento, 1 metro de altura e 85 centímetros de largura, com um peso estimado em 1,2 tonelada.
Apesar de ter sido desenterrada fora do seu contexto original, ou seja, sem estar associada diretamente a outros elementos arquitetônicos do sítio, a obra apresenta traços notáveis de policromia (pigmentos coloridos) que sobreviveram ao tempo.

INAH

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Os pigmentos, com cores como ocre, vermelho, azul, preto e branco, estão preservados em mais de 80% da superfície, o que é raro em artefatos dessa antiguidade.
Esse nível de conservação só foi possível porque a escultura ficou coberta por lama e água no solo durante mais de meio milênio.
Trabalho delicado de preservação
Para proteger a peça, especialmente os pigmentos, pesquisadores montaram um ambiente controlado com umidificadores e sensores que monitoram constantemente a umidade relativa do ar.
O processo de conservação é cuidadoso: a umidade presente na rocha precisa ser removida gradualmente para evitar a perda de cor ou fissuras.
Significado cultural
A serpente ocupava um lugar de destaque na cosmovisão asteca e em outras culturas mesoamericanas, frequentemente associada a divindades poderosas como Quetzalcóatl, a serpente emplumada, símbolo de sabedoria, vento e criação.
Embora ainda estejam sendo estudados seus significados exatos e contexto original, achados como esse ajudam a ampliar o conhecimento sobre a arte, a religião e a vida cotidiana na grande cidade de Tenochtitlán antes da conquista espanhola.
A descoberta reforça a importância arqueológica da região e abre novas perspectivas para entender melhor como artefatos simbólicos eram usados e preservados pelos povos mesoamericanos.




