A ideia de que quem cresceu nos anos 60 e 70 ficou mais resiliente costuma girar em torno de um traço bem específico: mais autonomia na infância!
Naquele período, crianças circulavam mais sozinhas, brincavam mais na rua e resolviam conflitos com menos supervisão direta. A psicologia vê esse tipo de experiência como um fator que pode fortalecer adaptação e confiança.
A American Psychological Association (APA) define resiliência como o processo de se adaptar bem diante de adversidades, estresse ou desafio.
Em estudo publicado em 2024 no Journal of Transport & Health, pesquisadores concluíram que a chamada mobilidade independente infantil ajuda no crescimento socioemocional e cognitivo.
Já um artigo de 2023 no The Journal of Pediatrics resumiu evidências de um recuo nas oportunidades de brincar, explorar e agir sem vigilância constante. Segundo os autores, essa perda pode ter afetado o bem-estar mental de crianças e adolescentes.
Onde a hipótese faz sentido
Estudos associam autonomia infantil a melhor ajuste emocional, mais confiança e maior capacidade de lidar com imprevistos, além disso, a psicologia também passou a olhar com mais cuidado para o movimento inverso.
Em 2018, a APA divulgou uma pesquisa mostrando que a parentalidade excessivamente controladora pode dificultar a adaptação de crianças e adolescentes à escola e à vida social.
Segundo a associação, filhos de pais muito controladores podem ter mais dificuldade para ganhar autonomia emocional.
Gerações “cascudas” dos anos 60 e 70
A resiliência depende de vários fatores ao mesmo tempo, como vínculos familiares, apoio social, segurança, renda, saúde mental dos pais e contexto comunitário. A própria APA trata a resiliência como um processo moldado por fatores pessoais e ambientais, e não como uma marca fixa de uma época.




