Estudos científicos vêm indicando que crianças que ajudam na realização de tarefas domésticas em casa desde cedo tendem a ter maior sucesso no futuro, se tornando adultos responsáveis, independentes e proativos. Esse contato com as responsabilidades domésticas, como lavar louça, arrumar o quarto ou ajudar na preparação de refeições, auxiliaria a criança até mais que escolas de elite caras.
Uma das pesquisas que mais apontam isso é Harvard Study of Adult Development (Estudo de Harvard sobre o Desenvolvimento Adulto) e acompanha participantes desde 1938 para entender quais fatores da infância influenciam saúde e bem-estar na vida adulta. Ao todo, foram acompanhados 268 estudantes de Harvard por mais de 85 anos, cobrindo desfechos que vão de saúde mental ao sucesso profissional.
De acordo com o estudo, crianças que tinham tarefas regulares demonstraram hábitos de trabalho mais sólidos, maior autoestima e níveis mais altos de felicidade ao longo da vida. Uma das conclusões foi que os participantes que realizavam tarefas domésticas na infância cresceram mais independentes, mais capazes de trabalhar em grupos colaborativos e mais preparados para entender que, mesmo tarefas desagradáveis, fazem parte da vida em comunidade.
Outros estudos
Além da pesquisa de Harvard, outros estudos mais recentes como um publicado no “Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics” (Jornal de Pediatria do Desenvolvimento Comportamental), que acompanhou quase 10 mil crianças, indicaram que as crianças que realizavam essas tarefas também tinham um maior desempenho escolar e na sociabilidade. O estudo mostrou ainda crianças que não tinham o costume de participar dessas tarefas, que apresentaram melhorias na performance escolar após começarem a ajudar em casa.
Especialistas apontam que essas mudanças positivas vêm com o fato de que a criança deixa de ser apenas “consumidora” dos pais e passa a ser uma participante ativa e contribuinte dentro da casa. A neuropsicóloga Andreia Convento destaca também que a melhoria vem com a prática da função executiva da criança, permitindo que ela desenvolva habilidades de planejamento, atenção e organização.





